Sob o meu olhar

Aqui neste blog, vocês poderão ver, ler e comentar a respeito do que escreverei. Por meio deste meu olhar sincero, tentarei colocar artigos e dar minha opinião sobre questões atuais como politica, problemas sociais, educação, meio ambiente, temas que tem agitado o mundo como um todo. Também escreverei poesias e colocarei poemas de grande poetas que me afloram a sensibilidade, colocarei citações e frases pequenas para momentos de reflexão.
É desta forma que vou expor a vocês o meu olhar voltado para o mundo.

03/02/2013

Que valores priorizamos?


Em meados de agosto último, um incêndio em um prédio de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, atingiu o apartamento do marchand e colecionador de arte Jean Boghici, que possuía em seu acervo milionário telas de Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti etc. Aos 84 anos e nascido na Romênia, esse pioneiro no mercado de arte no Brasil inspirou a psicóloga Patrícia Gebrim a escrever o seguinte texto:

Quando nos traímos, sofremos uma perda imensa
Outro dia acompanhei a notícia do incêndio que ocorreu no apartamento do famoso marchand (Jean Boghici), do fogo que se alastrou destruindo inúmeras obras de arte, uma perda de um valor inestimável, sem dúvida alguma.
Mas confesso que o que mais me chamou a atenção foi que, ao ser questionado pelos jornalistas sobre sua perda, aquele sábio senhor respondeu que o que realmente lhe doía era o fato de sua gatinha ter morrido no incêndio, a gata que ficava ao seu lado na cama e que não tinha conseguido escapar das chamas.
Ora, muitos diriam:
- Que valor tem um simples gato, frente a obras de arte que jamais poderão ser recriadas?
- Que valor tem um simples gato, frente a um patrimônio da humanidade, queimado e destruído, numa perda financeira tão grande que é até difícil avaliá-la qualitativa e quantitativamente?
E ainda assim, para aquele senhor de voz embargada e coração apertado, a gatinha valia mais, e eu achei lindo ouvir isso. Achei lindo ver um homem que já viveu tanto indignar-se daquela forma.
- Quando foi que aprendemos a colocar os cifrões antes da vida?
- Quais são os valores que norteiam nossas escolhas?
Precisamos pensar sobre isso…
Essa inversão de valores está, a meu ver, na base de boa parte do sofrimento humano. Claro, tudo tem lá sua importância. Mas é preciso que saibamos priorizar e enxergar a partir de um ponto que existe dentro de nós, e não a partir de manuais empilhados nas prateleiras expostas, construídas por pessoas que moram fora de nós.
O mundo ao nosso redor pode ter uma ideia do que deve ter valor. Pode criar teorias, embasar pesquisas, elaborar manuais de conduta. Pode até declarar-se detentor de verdades cientificamente provadas. Mas se as verdades do mundo não nos trouxerem paz, se as verdades do mundo não aquietarem nosso coração, será que nos servem de verdade?
Quando traímos a nós mesmos para nos adequarmos ao que acreditamos ser esperado de nós, sofremos uma perda imensa. Maior do que qualquer outra.
Foi isso que me encantou na resposta daquele marchand ao jornalista, a reposta corajosa de alguém que já viveu muito e já não se obriga a agradar quem quer que seja. A resposta de alguém que não se trai, pensem o que pensarem. Ah, como admiro pessoas assim!
E dedico meu artigo à Pretinha, a gatinha que virou estrelinha.

01/02/2013

Lula diz que EUA perderam guerra para Cuba e pede fim do bloqueio


Havana – Em discurso na 3ª Conferência Internacional pelo Equilíbrio do Mundo, patrocinada pela Unesco e que acontece na capital cubana, o o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que os Estados Unidos perderam guerra para Cuba e pediu fim do bloqueio econômico imposto pelos norte-americanos ao país.

“Não existe mais nenhuma razão de se manter o bloqueio [de Cuba] a não ser a teimosia de quem não reconhece que perdeu a guerra, e perdeu a guerra para Cuba”, disse Lula, ao discursar no encerramento da conferência.

“Espero que [Barack] Obama neste mandato tenha um olhar mais igualitário e mais justo para a nossa querida América Latina”, defendeu o ex-presidente. “Como sou otimista, eu acredito que um dia os Estados Unidos vão rever a sua posição, e espero que seja no governo Obama, pois tem nenhuma razão para continuar com o bloqueio a Cuba.”

A conferência é a terceira realizada em 10 anos e se propõe a debater internacionalmente a contribuição intelectual do herói da independência cubana José Martí. O evento coincide com os 160 anos de Martí e com o aniversário de 60 anos da invasão do Quartel Moncada, um importante marco da revolução cubana. Participaram cerca de 1500 pessoas, dos quais 800 estrangeiros de 44 países.

Lula abriu o seu discurso pedindo um minuto de silêncio para as vítimas do incêndio em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e fez uma homenagem a Hugo Chávez, que se encontra internado em um hospital de Havana para tratamento de um câncer na região pélvica em tratamento de saúde.

O ex-presidente ressaltou a importância do evento para a integração latino-americana e criticou a imprensa. “Nem reclamo, porque no Brasil a imprensa gosta muito de mim”, afirmou.

“Eles não gostam da esquerda, não gostam de [Hugo] Chávez, não gostam de [Rafael] Correa, não gostam de Mujica, não gostam de Cristina [Kirchner],não gostam de Evo Morales, e não gostam não pelos nossos erros, mas pelos nossos acertos”, disse. Para Lula, as elites não gostam que pobre ande de avião, compre um carro novo ou tenha uma conta bancária.

*As informações são do Instituto Lula.

19/01/2013

La literatura clásica fomenta la actividad cerebral

Que leer es un hábito saludable es algo que nadie pondría en duda. Es posible intuir que dicha actividad trae múltiples beneficios a quien la practica: lo difícil es cuantificar o especificar, en concreto, cuáles son dichos beneficios, o explicar cómo se consiguen.
La literatura clásica estimula la actividad cerebral
Un estudio de la Universidad de Liverpool afirma que leer literatura clásica incrementa la actividad del cerebro. ¿Por qué la estimulación cerebral la logran con mayor éxito los escritores clásicos, y no los autores actuales? Para los expertos, la clave está en las expresiones que revelan un esquema semántico complejo.

La investigación de los científicos británicos consistió en evaluar la actividad del cerebro de treinta voluntarios mientras leían. En una primera etapa, las personas tuvieron que leer textos que son clásicos de la literatura mundial, mientras que luego leyeron los mismos contenidos, pero adaptados al habla coloquial de la actualidad.

De acuerdo al monitoreo de los científicos, la actividad del cerebro se incrementa cuando la persona halla, en el texto, expresiones que no le resultan habituales. El estímulo persiste un tiempo, lo que consigue potenciar la atención del sujeto, de acuerdo a las conclusiones de la Universidad de Liverpool que recoge ABC.

Gracias a este trabajo, los investigadores concluyeron además que la poesía aporta más beneficios al lector que las obras de autoayuda. Esta realidad obedece a que los poemas estimulan el lado derecho del cerebro, es decir, el hemisferio que aloja los recuerdos. La poesía, por lo tanto, hace que el individuo reflexione sobre sus vivencias y las analice desde una nueva óptica.

William Shakespeare, Philip Larkin, John Donne, T.S. Eliot, Elizabeth Barrett Browning, Henry Vaughan y William Wordsworth son algunos de los escritores que, según la investigación, promueven la actividad cerebral, reproduce LaInformacion.com.

La ciencia ha hablado: leer un buen libro no sólo aporta entretenimiento y momentos placenteros, sino que también mejora nuestras habilidades cognitivas. No hacen falta más argumentos para justificar una visita a la biblioteca más cercana.

13/01/2013

A terrível verdade sobre o estupro em Nova Délhi.


Morei 24 anos em Nova Délhi, uma cidade onde o assédio sexual é tão regular quanto o café da manhã. Todos os dias, em algum lugar da cidade, há um caso de estupro.

Quando adolescente, aprendi a me proteger. Nunca ficava sozinha, se possível, e andava depressa, cruzando os braços sobre o peito, recusando todo contato visual ou mesmo um sorriso. Abria caminho no meio da multidão curvando os ombros para frente, e evitava sair de casa depois do escurecer, se não fosse num carro particular. Numa idade em que as jovens em todos os outros lugares começam a fazer suas primeiras experiências com um estilo mais ousado de vestuário, eu usava roupas duas vezes maiores do que o meu tamanho. Ainda não consigo me vestir de forma a parecer atraente sem ter a sensação de estar me expondo ao perigo.

A situação não mudou quando cheguei à idade adulta. O spray de pimenta não existia ainda e minhas amigas, todas de classe média ou média alta como eu, carregavam alfinetes ou outros objetos como armas no caminho da universidade e do emprego. Uma delas andava com uma faca e insistia que eu devia fazer o mesmo.

Recusei, mas havia dias em que ficava tão enraivecida que poderia usá-la - ou, pior ainda, alguém poderia usá-la contra mim.

O persistente concerto de assobios, miados, palavras sibiladas, alusões sexuais ou ameaças abertas continuaram. Grupos de homens andavam pelas ruas vadiando, e sua forma de comunicação eram as canções de filmes indianos que viviam cantando, repletas de duplos sentidos.

Para deixar claras suas intenções, mexiam a pélvis para frente quando uma mulher passava.

Não eram apenas os ambientes públicos que eram pouco seguros. Até na redação de uma importante revista onde eu trabalhava, no consultório de um médico, até mesmo numa festa privada - era impossível escapar da intimidação.

No dia 16 de dezembro, como o mundo agora sabe, uma mulher de 23 anos voltava para casa com o namorado depois de assistir ao filme As aventuras de Pi num shopping center de Délhi. Quando tomaram o que lhes pareceu um ônibus, os seis homens que estavam no veículo estupraram e torturaram a mulher de maneira tão brutal que destruíram seus intestinos. O ônibus fora apenas um chamariz. Eles espancaram brutalmente também o namorado da jovem e jogaram os dois fora do veículo, deixando-a à beira da morte.

A jovem não se rendeu. Ela começara aquela noite vendo um filme sobre um sobrevivente, e provavelmente sentiu-se determinada a sobreviver também. Então ela realizou outro milagre. Em Délhi, uma cidade onde a degradação das mulheres é comum, dezenas de milhares de pessoas foram às ruas e enfrentaram a polícia, as bombas de gás lacrimogêneo e os canhões de água para expressar sua revolta. Foi o maior protesto jamais realizado na Índia contra a agressão sexual e o estupro até aquele momento, e desencadeou manifestações em toda a nação.

A fim de proteger a identidade da vítima, seu nome não foi divulgado.

Mas embora ela continue sem nome, não ficou sem rosto. Para vê-lo, bastou que as mulheres se olhassem no espelho. A plena dimensão da sua vulnerabilidade finalmente foi compreendida.

Quando fiz 26 anos, mudei-me para Mumbai. A megalópole comercial e financeira tem sua carga de problemas específicos, mas, em termos culturais, é mais cosmopolita e liberal do que Délhi. Ainda zonza com a liberdade recém-conquistada, comecei a fazer matérias sobre o bairro da prostituição e percorria subúrbios perigosos tarde da noite - sozinha e usando transporte público. Acho que a minha experiência em Délhi teve um resultado positivo: fiquei agradecida pelo ambiente comparativamente seguro de Mumbai e resolvi aproveitar ao máximo.

Mas a jovem jamais terá esta oportunidade. Na manhã de sábado, 13 dias depois de ter sido brutalizada, esta estudante de fisioterapia, que sem dúvida sonhara em melhorar a vida das outras pessoas, perdeu a sua. Morreu por falência múltipla dos órgãos.

A Índia tem uma legislação contra o estupro; assentos reservados para as mulheres nos ônibus, policiais femininas; linhas especiais para pedir a ajuda da polícia. Mas estas medidas não têm tido eficiência diante de uma cultura patriarcal e misógina. Trata-se de uma cultura que acredita que o pior aspecto do estupro é a corrupção da vítima, que nunca mais poderá encontrar um homem para casar com ela - e que a solução é casar com o estuprador.

Estas crenças não se restringem às salas de estar, mas são expressas abertamente. Nos meses anteriores ao estupro coletivo, alguns políticos de destaque atribuíram o aumento das estatísticas sobre estupro à crescente utilização dos celulares pelas mulheres e ao fato de elas saírem à noite. "Somente porque a Índia conseguiu a liberdade depois da meia-noite não significa que as mulheres possam se aventurar a sair depois do anoitecer", disse Botsa Satyanarayana, líder do Partido do Congresso do Estado de Andhra Pradesh.

Denúncias. Mudar é possível, mas as pessoas devem denunciar logo os casos de estupro e de agressão sexual para que a polícia possa realizar as investigações, e os casos levados aos tribunais possam tramitar rapidamente e não demorar anos a fio. Dos mais de 600 casos de estupro relatados em Nova Délhi em 2012, somente um levou à condenação. Se as vítimas acreditam que receberão justiça, se mostrarão mais dispostas a falar. Se os supostos estupradores temerem as consequências de suas ações, não atacarão as mulheres nas ruas impunemente.

As dimensões dos protestos públicos e na mídia deixaram claro que o ataque constituiu um divisor de águas. A horrível verdade é que a jovem atacada no dia 16 teve mais sorte do que muitas vítimas de estupro. Ela foi uma das raras mulheres que receberam algo parecido com justiça. Foi hospitalizada, sua declaração foi gravada e em poucos dias todos os seis suspeitos do estupro foram presos e, agora, estão sendo processados por assassinato. Tal eficiência é algo incomum na Índia.

Não foi a brutalidade das agressões contra a jovem que tornou sua tragédia inusitada; foi o fato de que esta agressão, finalmente, provocou uma resposta.

SONIA FALEIRO
7 DE JANEIRO DE 2013

A grande virada da resistência palestina

 Baby Siqueira Abrão - Carta Maior

A resistência palestina acaba de entrar em nova fase. Com a fundação da vila de Bab Al Shams, em 11 de janeiro, ela mostra que a partir de agora vai criar fatos consumados para retomar, na prática, aquilo que é seu por direito

Logo depois que a maioria dos países presentes à Assembleia Geral da ONU de 29 de novembro de 2012 reconheceram o Estado da Palestina nos limites anteriores à ocupação militar israelense de 1967, com Jerusalém oriental como capital, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyhau, decidiu desafiar a decisão. Em represália às Nações Unidas, anunciou a construção de três mil unidades habitacionais para colonos judeus, duas mil delas, além de centro comercial e educacional, em al-Tur, área próxima a Jerusalém oriental que Israel denomina E1.

Al-Tur fica no Estado da Palestina. E é importantíssima do ponto de vista geoestratégico. Construir ali uma extensão da colônia judaica de Ma’ale Adumin – ela também erigida ilegalmente em território palestino –, como quer o governo israelense, significaria dividir a Cisjordânia em duas partes.

A Palestina ficaria, então, com três blocos geograficamente separados: Cisjordânia do norte, Cisjordânia do sul e Gaza. Todas elas sem nenhum tipo de comunicação umas com as outras. E sem acesso a Jerusalém.

O impacto na população palestina, lembra o Alternative Information Center (AIC), organização fundada e dirigida por pesquisadores palestinos e israelenses que apoiam a causa palestina, seria “desastroso”. As comunidades ficariam isoladas, o crescimento natural seria impedido e, como consequência, os moradores começariam a deixar as áreas vizinhas a Al-Tur. O caminho estaria aberto para o governo de Israel anexar mais terras a seu território.

Além disso, cerca de 2,3 mil beduínos que vivem em pequenas comunidades entre Ma’ale Adumin (localizada na Cisjordânia) e Jerusalém seriam expulsos. A maioria deles, diz o AIC, é composta de refugiados forçados a deixar o deserto de Naqab (em hebraico, Negev), ao sul da Palestina, quando os sionistas tomaram a região à força para fundar Israel.

Mais: aproximadamente 50 mil palestinos das cidades de Anata, Abu Dis e Azaria ficariam praticamente isolados do resto do mundo, espremidos entre a colônia judaica planejada em al-Tur do lado leste e o Muro do Confisco e do Apartheid a oeste. A única comunicação com seu próprio país seria feita por uma estrada que corta Belém e Ramala.

Hora de mudar as regras do jogo
Pois foi exatamente nessa área sensível, fundamental para a contiguidade do Estado da Palestina, que mais de 250 mulheres e homens, sob o intenso frio do fim de madrugada de 11 de janeiro, fundaram Bab Al Shams (Porta do Sol), a mais nova vila palestina.

Ali, no platô pedregoso de al-Tur, eles montaram, com a ajuda de ativistas de várias partes do mundo, dezenas de barracas retangulares de tecido emborrachado branco e creme, estruturadas com vigas de ferro. Uma delas abriga uma clínica médica. Outra anuncia, com letras enormes, em árabe e em inglês: “Bab Al Sham Village”.

A construção da vila é uma iniciativa única e marca uma nova fase da resistência. Os palestinos, segundo a declaração distribuída durante a fundação da vila, não estão mais dispostos a esperar que o confisco de seu país se consume. A união entre comitês populares, movimentos de jovens, organizações da sociedade civil e os verdadeiros donos daquela área, fortalecidos pela decisão da ONU de reconhecer a Palestina como Estado, efetuaram a ação não violenta mais importante e decisiva dos mais de 100 anos de resistência ao sionismo – o movimento político que tomou para si, na base do terrorismo e da força, a maior parte da Palestina. Mas o real objetivo, como Ben-Gurion deixou claro em carta escrita a seu filho, e como os sionistas jamais esconderam – o projeto faz parte do programa do Likud, o partido do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, e de outros partidos de Israel –, é tomar a Palestina inteira.

Até hoje de manhã, os palestinos vinham assistindo, impotentes, o governo de Israel levar adiante esse plano, roubando suas terras, destruindo suas casas e seus meios de vida. A construção de Bab Al Shams é o ponto de virada dessa história. Nem mesmo os helicópteros que passaram a sobrevoar a nova vila assim que a notícia chegou aos ouvidos do governo sionista, nem os numerosos soldados que cercaram o local podem mudar isso.

Os palestinos desistiram de esperar que seu direito à autodeterminação lhes seja concedido. Decidiram conquistá-lo por conta própria. Apropriaram-se, na prática, do que sempre foi seu. Mostraram, ao retomar suas terras, a disposição de lutar por elas centímetro por centímetro. Colocaram os sionistas contra o muro que eles mesmo construíram.

Em Bab Al Shams, em meio à montagem das tendas, Abdallah Abu-Rahmah, líder do Comitê Popular de Bil’in, declarava aos repórteres, fazendo eco ao conteúdo da declaração de Bab Al Shams, que “Israel impôs fatos consumados durante décadas, diante do silêncio da comunidade internacional. Agora é hora de mudar as regras do jogo. Somos os donos desta terra e imporemos a nossa realidade”.

Na Itália, Luisa Morgantini, ex-membro do Parlamento Europeu, aplaudiu a iniciativa, lamentando apenas não estar em Bab Al Sham. Em alguma parte do mundo, os hackerativistas do grupo Anonymous aprovaram a ação direta da resistência palestina: “Este assentamento é nosso”, declararam eles no Twitter. “E vai permanecer de pé até que os outros [as colônias ilegais construídas por Israel] tenham ido embora.”

Em Ramallah, a Dra. Hanan Ashrawi, membro da Comissão Executiva da OLP, parabenizou os organizadores e deu total apoio à ação: “Estimulamos a resistência popular não violenta contra a ocupação israelense em todo o Estado da Palestina”, disse ela, lembrando as privações que os palestinos enfrentam para viver em seu próprio país. “A iniciativa é uma ferramenta criativa e legítima para proteger a Palestina dos planos coloniais de Israel. Temos o direito de viver em qualquer parte de nosso Estado. Conclamamos a comunidade internacional a apoiar ações como essa e a dar proteção àqueles que são ameaçados pelas forças ocupantes por exercerem seu direito de resistir pacificamente à ocupação ilegal de Israel.”

A reação do governo israelense
Desafiado por uma ação baseada em seus próprios métodos – criar fatos consumados para tomar terras palestinas –, o governo israelense despachou soldados para instalar postos de controle (checkpoints) nos acessos à nova vila e para cercá-la, além de emitir uma ordem de “evacuação”, exigindo que os moradores deixassem a área. Nenhum deles fez um único movimento no sentido de sair dali, até porque naquele mesmo momento a Suprema Corte de Israel decidia favoravelmente a um recurso interposto pela resistência. Durante seis dias, declarou o tribunal, Bab Al Shams permanece onde está.

À medida que a noite descia, em torno de fogueiras, aquecidos por cobertores e pelo chá, a tradicional bebida palestina, os moradores receberam a boa notícia de que a instalação elétrica da vila estava pronta. Luzes foram acesas nas tendas, e notebooks, já sem bateria, ligados.

Aconchegados uns nos outros, palestinas, palestinos e ativistas estrangeiros preparavam-se para a primeira noite da nova vila. A primeira noite de um dia muito especial, marco da virada de um povo até então imobilizado por circunstâncias externas.

Em 11 de janeiro os palestinos decidiram fazer as próprias circunstâncias. A nova fase da luta contra o ocupação prosseguirá, como afirma a histórica Declaração de Bab Al Shams, cuja tradução vem a seguir.

Declaração de Bab Al Shams
Nós, filhas e filhos da Palestina, de todas as partes do país, anunciamos o estabelecimento da vila de Bab Al Shams. Nós, o povo, sem permissão da ocupação, sem permissão de ninguém, estamos aqui hoje porque este é nosso país e habitá-lo é um direito nosso.

Poucos meses atrás o governo israelense anunciou sua intenção de construir cerca de 4 mil unidades habitacionais na área que denomina E1.

Trata-se de uma área de 13 km2 que fica no território palestino confiscado de Jerusalém oriental, entre a colônia de Ma’ale Adumin, construída na Cisjordânia ocupada, e Jerusalém. Não permaneceremos calados enquanto a expansão das colônias e o confisco de nosso país continua. Portanto, pela presente declaração, estabelecemos a vila de Bab Al Shams para proclamar nossa crença na ação direta e na resistência popular.

Declaramos que a vila permanecerá em pé até que os donos destas terras tenham o direito de construir nelas.

O nome da vila foi retirado da novela Bab Alshams, do escritor libanês Elias Khoury. O livro descreve a história da Palestina por meio do amor entre um palestino, Younis, e sua esposa Nahila. Younis deixa a esposa para unir-se à resistência no Líbano enquanto Nahila permanece firme no que restou da vila de ambos, na Galileia. Durante os anos 1950 e 1960 Younis sai às escondidas do Líbano e volta à Galileia para encontrar a esposa na caverna de Bab Al Shams, onde ela dá à luz os três filhos do casal. Younis retorna à resistência e Nahila fica na caverna.

Bab Al Shams é a porta para nossa liberdade, é nossa firmeza. Bab Al Shams é nossa porta para Jerusalém. Bab Al Shams é a porta para o nosso retorno.

Durante décadas Israel tem criado fatos consumados enquanto a comunidade internacional permanece calada em resposta a essas violações. Chegou a hora de mudar as regras do jogo, de estabelecermos fatos consumados em nosso país. Esta ação, envolvendo mulheres e homens de norte a sul [da Palestina] é uma forma de resistência popular.

Nos próximos dias criaremos vários grupos de discussão, faremos apresentações educacionais e artísticas, passaremos filmes nesta vila. Os moradores de Bab Al Shams convidam todas as filhas e todos os filhos de nosso povo para participar e juntar-se à vila, a fim de dar apoio a nossa resistência.

Usar celular e matar no trânsito é crime doloso

10/01/2013
Um motorista que atropela e mata alguém enquanto dirige falando ao celular pratica homicídio doloso, ou seja, com intenção. Essa, ao menos, foi a interpretação do Tribunal Federal Regional (TRF) da 1ª Região ao julgar recurso de um condutor condenado em primeira instância no Pará. Ao recorrer, ele tentava reverter decisão do juiz da 4. 11 Vara Criminal da Seção Judiciária do Estado, buscando classificar o crime como culposo, quando não há intenção de matar, com penas mais brandas.

Mas, para o juiz-relator Fernando Tourinho Neto, do TRF, quem guia falando ao telefone "demonstra o risco assumido de produzir o resultado" da morte da vítima. Segundo argumentou em seu parecer, em ocorrências de trânsito há "situações em que o dolo, ao menos eventual, se apresenta". Todos os desembargadores da 3ª Turma do TRF seguiram seu voto, proferido em outubro. Agora, o processo deve seguir para apreciação do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O caso ocorreu em uma noite de outubro de 2006 em uma estrada da cidade paraense de Ananindeua. O Corsa dirigido pelo administrador Márcio Scaff atingiu e matou a policial rodoviária federal Vanessa Siffert, que estava em serviço perto de um posto da Polícia Rodoviária Federal.

De acordo com o processo, Scaff alegou que obedecia ao limite de velocidade do trecho 60 km/h. Além disso, argumentou que "houve falha na sinalização da via, bem como negligência da policial", que não usava um colete sinalizador.

No veículo, foi encontrada uma porção de maconha. Apesar disso, o condutor se recusou a fazer exame toxicológico após o atropelamento, o que também poderia atestar se ele estava embriagado, o que ele nega.
Jurisprudência. Maurício Januzzi, presidente da seccional paulista da Comissão de Trânsito da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), explica que atualmente a jurisprudência brasileira entende esse tipo de crime como homicídio culposo. "Se o STJ mantiver essa decisão (do TRF), aí eu entenderei que será um avanço para o País."

O processo revela que Scaff admitiu estar falando ao telefone celular e teria se distraído por causa disso. 

Contudo, o réu afirmou ter tentado desviar e evitar o atropelamento. "Se vinha falando ao telefone, distraído como disse, como poderia tentar desviar ou frear?", questionou Tourinho Neto em seu voto.

A pena para homicídio culposo de trânsito é de 2 a 4 anos de prisão e para o doloso, de 6 a 20 anos.

Desvio de atenção. Para Dirceu Rodrigues Alves Júnior, chefe do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), dirigir falando ao celular já deveria constituir uma penalidade mais severa do que é hoje: infração de trânsito média, que rende R$ 85,13 e quatro pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

"Existem três funções importantes para conduzir o veículo: a cognitiva, a motora e a sensorial. Quando você tem o comprometimento de uma delas está impedido de dirigir. E o celular faz isso."

Ele explica que nem mesmo na função viva-voz ou com fones de ouvido o aparelho deve ser utilizado por motoristas, pois ainda assim distrai o condutor, que acaba prestando mais atenção à conversa.

Quando se está na direção e o telefone toca, não deve ser atendido. É a dica do professor de Engenharia de Tráfego Creso de Franco Peixoto, da Fundação Educacional Inaciana. "Ligue depois. O número fica gravado."

Se a pena mais severa para motoristas que causam acidente por falar ao telefone ainda passa pela formação de uma jurisprudência, a punição mais rígida para a embriaguez ao volante é uma realidade desde o mês passado no País, quando a lei seca se tornou mais dura. A multa subiu para R$ 1.915,10. Além disso, em caso de processo criminal, o motorista poderá ser indiciado por meio de uso de vídeos e fotos, além do testemunho de policiais. Antes, só com uso do bafômetro ou exame de sangue.
Autor: jornal Estado de S. Paulo

12/01/2013

Chávez, “consciente y comunicativo”

Página/12

El presidente de Venezuela, Hugo Chávez, está “consciente y comunicativo”, dijo ayer el ministro de Información, Ernesto Villegas. A un mes de la cuarta operación de Chávez, el vicepresidente, Nicolás Maduro, viajó a Cuba para ver al mandatario.

En declaraciones a Unión Radio de España, Villegas precisó que Chávez hace “gala de una gran fuerza y un gran talante espiritual” y advirtió que los que esperan su muerte “se van a quedar con las ganas”. “Mantiene todas sus competencias como jefe de Estado del país”, añadió. Reveló que el presidente está consciente de la situación en que está y se mantiene en comunicación con su equipo de gobierno y familiares que están en La Habana. El funcionario aludió también a la opositora Mesa de Unidad Democrática (MUD), que ratificó el jueves su rechazo al fallo del Tribunal Supremo de Justicia (TSJ) de considerar innecesario el acto de asunción presidencial de Hugo Chávez y prolongar el mandato del actual gobierno, y convocó a una marcha pacífica para el 23 de enero. “Aquí están buscando el modo de conseguir por otros lados lo que no han conseguido con votos”, analizó Villegas. Aunque no dio un nuevo parte médico sobre el estado del presidente, el ministro aseveró que el gobierno informó con rigurosidad en más de 27 ocasiones sobre la evolución de la salud del presidente. Asimismo, aprovechó para mencionar que el jefe de Estado venezolano, durante su convalecencia en La Habana, demostró el talante espiritual que ha tenido en todas estas circunstancias adversas que le permitieron resurgir “cuando pocos apuestan a su futuro”. “El presidente es el presidente, no hay ningún otro”, aclaró.

Luego de esto, Maduro, quien desarrolló durante los últimos días una nutrida actividad de gestión de gobierno, viajó a La Habana, Cuba, a fin de volver a visitar al jefe de Estado venezolano. “Ahora me toca salir para La Habana para visitar nuevamente al presidente e informarlo de cómo hemos mantenido el ritmo el equipo político: Diosdado Cabello (presidente de la Asamblea Nacional), Cilia Flores (procuradora de la República), Jorge Arreaza (ministro de Ciencia y Tecnología) y Adam Chávez (gobernador reelecto de Barinas)”, expresó. Durante una reunión del Organo Superior de la Vivienda, el vicepresidente informó que la visita tiene como propósito conversar con el equipo médico y con el presidente Chávez, a quien le entregará “las buenas nuevas de un pueblo trabajando, haciendo revolución con coraje, disciplina y entusiasmo”. Asimismo, Maduro anunció que el ministro de Energía Eléctrica, Héctor Navarro, ejercerá funciones como vicepresidente encargado.

Chávez cumplió ayer un mes desde que se sometió en Cuba a su cuarta operación para tratarse del cáncer que le fue detectado por primera vez en junio de 2011. El gobernante venía de ganar la reelección en los comicios del 7 de octubre pero no pudo asistir a la ceremonia de juramentación que debía realizarse el jueves por su estado de salud. Pese a ello, Maduro aseguró que el presidente “está trabajando y en cuenta” de todos los planes del gobierno, por lo que aseguró que pese a su ausencia física el líder bolivariano cumple “un papel sumamente importante” en el país. Las declaraciones de Maduro se realizaron luego de que el oficialismo realizara el jueves una gran concentración en respaldo al gobierno de Chávez, cuya continuidad fue avalada esta semana por una sentencia del TSJ pese a que el mandatario no ha aparecido en público desde su partida a Cuba. La movilización contó con invitados como los presidentes de Bolivia, Evo Morales; de Nicaragua, Daniel Ortega, y de Uruguay, José Mujica. Además de una delegación de islas caribeñas.

El viaje del vicepresidente a La Habana coincidió con la visita a la isla de la presidenta argentina, Cristina Fernández de Kirchner, y del mandatario de Perú, Ollanta Humala. El presidente del Perú arribó a Cuba en medio de críticas por parte de la oposición, que consideró inoportuno el viaje. Según la agenda oficial difundida por el gobierno, Humala promoverá en Cuba una ampliación del Acuerdo de Complementación Económica con ese país y los convenios de cooperación técnica y de reconocimiento de títulos de educación superior. Asimismo, revisará el Tratado de Asistencia Judicial en Materia Penal entre Perú y Cuba, y realizará coordinaciones referidas a la Unión de Naciones Sudamericanas (Unasur) y de la Comunidad de Estados Latinoamericanos y del Caribe (Celac). Recibido por el viceministro cubano de Relaciones Exteriores, Rogelio Sierra, el presidente peruano dio declaraciones a los periodistas en el aeropuerto internacional José Martí. “Obviamente también preguntaré, veré cómo está la situación (de salud) del presidente Chávez, a quien todos le deseamos una pronta mejoría”, indicó.