Sob o meu olhar

Aqui neste blog, vocês poderão ver, ler e comentar a respeito do que escreverei. Por meio deste meu olhar sincero, tentarei colocar artigos e dar minha opinião sobre questões atuais como politica, problemas sociais, educação, meio ambiente, temas que tem agitado o mundo como um todo. Também escreverei poesias e colocarei poemas de grande poetas que me afloram a sensibilidade, colocarei citações e frases pequenas para momentos de reflexão.
É desta forma que vou expor a vocês o meu olhar voltado para o mundo.

27/10/2012

Milton, Darcy e Graciliano: paixão pelo Brasil


O povo brasileiro
O final deste mês reluz com o aniversário de três ícones da cultura brasileira: os 70 anos de Milton Nascimento, os 90 de Darcy Ribeiro e os 120 de Graciliano Ramos. O que há de comum entre um músico, um cientista social e um romancista?


Por José Carlos Ruy 


Onde encontrar a semelhança entre dois ilustres aniversariantes desta sexta-feira, 26 de outubro? O antropólogo Darcy Ribeiro completaria 90 anos de idade no mesmo dia em que o músico Milton Nascimento faz 70, e na véspera em que outro totem da cultura nacional, Graciliano Ramos, emplacaria 120 anos de idade (em 27 de outubro). 


Graciliano, por Portinari

A lembrança do velho Graça, o escritor comunista gigante que escreveu Vidas Secas, São Bernardo, Angústia, Memória do Cárcere etc. está registrada no magnífico texto com que Urariano Mota comparece a esta edição. Mas acho que Graciliano - segundo a lenda avesso à poesia e à música -, compreenderia o desafio de entender como um antropólogo e um músico andam juntos, na mesma rota que ele, como escritor, percorreu - a paixão pelo Brasil e pelos brasileiros, o esforço para compreender suas contradições, desafios e esperanças.

Fazer deste lugar um bom país
Este registro está, na música de Milton Nascimento, em canções como Nos Bailes da Vida, ou Notícias do Brasil (ambas do álbum Caçador de Mim, de 1981), onde ele canta a busca do “caminho / que vai dar no sol”, pela “estrada de terra na boleia de caminhão” onde, com “a roupa encharcada e a alma / repleta de chão / todo artista tem de ir aonde o povo está” (Nos Bailes da Vida). 


Milton Nascimento

Ou lembra a notícia trazida pelo “vento que soprava lá no litoral”, vinda do Maranhão, de Fortaleza, Recife, Natal, ouvida em Belém, Manaus, João Pessoa, Teresina e Aracaju e que “lá do norte foi descendo pro Brasil Central”, chegando “em Minas” e batendo “bem lá no sul!”, mesmo sem ter dado “no rádio, no jornal ou na televisão”. Notícia que era uma afirmação, um protesto e um programa: “Aqui vive um povo que merece mais respeito! / Sabe, belo é o povo como é belo todo amor”, cujo “destino é um dia se juntar”. “tudo quanto é belo será sempre de espantar”, diz a canção. “Aqui vive um povo que cultiva a qualidade, / ser mais sábio que quem o quer governar!” O tom de denúncia prossegue numa afirmação nacional mais ampla do que a limitada percepção das elites conseguem alcançar. “A novidade é que o Brasil não é só litoral! / É muito mais, é muito mais que qualquer zona sul.”, com uma promessa: “Tem gente boa espalhada por esse Brasil, / que vai fazer desse lugar um bom país!” 

Milton Nascimento, e o parceiro Fernando Brandt, expunham um programa, premonitório para aquele já longínquo 1981 quando a crise da ditadura militar se aprofundava e o povo passava a tomar a história nas mãos no início da rota que levaria pelo menos mais duas décadas para ganhar poder político e começar a mexer com as estruturas do país. Era um programa claro, que toca os brasileiros e constrange a elite colonizada: “Ficar de frente para o mar, de costas pro Brasil, / não vai fazer desse lugar um bom país!”

70 anos de idade e mais de 50 de carreira (aos 13 anos já cantava em festas e bailes, e sua primeira gravação, a canção, Barulho de trem, é de 1962) fizeram de Milton Nascimento uma das estrelas mais brilhantes do céu cultural do Brasil, que ganhou reconhecimento nacional desde a explosão de Travessia(também com Fernando Brant) no Festival Internacional da Canção de 1967. 

Logo depois, em Belo Horizonte (onde fora estudar economa) ligou-se aos irmãos Marilton, Lô e Márcio Borges, grupo ao qual juntaram-se depois Tavinho Moura, Flavio Venturini, Beto Guedes, Fernando Brant, Toninho Horta. Seus encontros ocorriam na esquina das Ruas Divinópolis com Paraisópolis, em Belo Horizonte, onde se ouviu pela primeira vez clássicos como São Vicente, Cravo e Canela, Para Lennon e McCartney, ou Nada será como antes. “Clube” esse imortalizado em 1972 com o lançamento do álbum Clube da Esquina, que fincava, ao lado da bossa nova, da canção de protesto e do tropicalismo, uma criativa e inovador abandeira engajada na música brasileira.

Engajamento não só diretamente político, como mostrou Coração de Estudante (1983, com Wagner Tiso), que foi um hino informal da campanha pelas Diretas Já, em 1984: “Quero falar de uma coisa / Adivinha onde ela anda / Deve estar dentro do peito / Ou caminha pelo ar / Pode estar aqui do lado / Bem mais perto que pensamos”. 

Foi também um engajamento social, presente em Maria Maria (1978, com Fernando Brant) uma candente afirmação da luta pela igualdade da mulher e da luta antirracista: “Maria, Maria / É / um dom, uma certa magia / Uma força que nos alerta / Uma mulher que merece Viver e amar / Como outra qualquer / Do planeta”. Cuja luta é “a dose mais forte e lenta / De uma gente que rí / Quando deve chorar / E não vive, apenas aguenta”.

O escritor argelino Frantz Fanon, um clássico da denuncia do racismo, escreveu certa vez que o racismo sinalizado pela cor da pele não permitia ao negro fugir dele, ou disfarçar sua condição, forçando-o à luta pela afirmação da igualdade e pelo fim da iníqua opressão que ele significa. “Maria Maria” deu uma expressão poética a esta constatação: é preciso ter força, raça, gana para enfrentá-lo. É “preciso ter manha / É preciso ter graça / É preciso ter sonho sempre / Quem traz na pele essa marca / Possui a estranha mania / De ter fé na vida”.

Política, ciência, razões éticas e patriotismo
A música de Milton Nascimento é um registro artístico de questões que, nos escritos de Darcy Ribeiro, tiveram uma expressão científica. Eles representam uma visão renovada da história brasileira, ligada a um esforço militante para entender nosso país. 


Darcy Ribeiro

Como os melhores estudiosos de sua geração, Darcy Ribeiro parte também do desafio de compreender o subdesenvolvimento e, unindo teoria e prática, produzir obras teóricas para a intervenção política. 

No prefácio a Os brasileiros ele indaga, "essencialmente, por que uma nação tão populosa - a maior de todas as latinas e a segunda do Ocidente - e das mais ricas em recursos naturais, permanece subdesenvolvida e só é capaz de promover uma prosperidade de minorias, não generalizável ao grosso da população". 

Ao mesmo tempo, reconhece a "impotência do reformismo e a fragilidade das instituições políticas chamadas a defender os interesses nacionais e populares, em face do poderio dos interesses patronais e da alienação do patriciado político e militar que sempre governaram o Brasil". "O que me interessa", escreve, "é contribuir para que se instrumente o brasileiro comum com um discurso mais realista e mais convincente sobre o Brasil, a fim de mostrá-lo e capacitá-lo a atuar de forma mais urgente e mais eficaz na transformação da nossa sociedade", opção que reafirmou em um de seus últimos livros, O povo brasileiro, de 1995: "Faço política e faço ciência movido por razões éticas e por um fundo patriotismo". Este "é um livro que quer ser participante, que aspira influir sobre as pessoas, que aspira ajudar o Brasil a encontrar-se a si mesmo". Não há ainda, denuncia, uma compreensão clara "da história vivida, como necessária nas circunstâncias em que ocorreu, e um projeto alternativo de ordenação social, lucidamente formulado, que seja apoiado e adotado como seu pelas grandes maiorias" (ver trecho da introdução em http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=197396&id_secao=11).

Esta compreensão clara, Darcy Ribeiro a procurou em outras obras, como Os índios e a civilização (1970), um relato humanamente comovente e crú da extrema violência do massacre e extermínio das populações autoctónes. Ou em trabalhos como Os brasileiros (1ª edição: 1972, com o título Teoria do Brasil), ou As Américas e a civilização (1970), onde as habilidades de historiador e antropólogo se juntam para produzir uma descrição geral da evolução social não só do Brasil mas também dos demais países latino-americanos.

Darcy Ribeiro, mais radical que muitos de seus companheiros de geração, foi um democrata solidamente apoiado no marxismo e apaixonado pelo povo de sua terra. 

Uma de suas obsessões, pode-se dizer, foi a busca de um programa de desenvolvimento nacional autônomo e autossustentado, ligado às necessidades dos brasileiros, aos quais, aliás, esbanja simpatia, como deixa claro em O povo brasileiro, livro em que, fugindo dos maneirismos antropológicos tradicionais e do academicismo, tem no centro de sua análise a ação contraditória, sofrida, muitas vezes cruel, de europeus dominantes que reduziram ao trabalho forçado as populações autóctones ou africanos sequestrados em sua terra. Para ele, é a análise da luta do povo brasileiro que revela a natureza íntima do processo histórico em nosso país, com seus dois traços marcantes, o classista e o racial. Assim, se a estrutura de classes "desgarra e separa os brasileiros em componentes opostos", ao mesmo tempo ela unifica e articula, do lado de baixo, "como brasileiros, as imensas massas predominantemente escuras", como escreveu em O Povo Brasileiro

A confiança no povo, em sua capacidade de enfrentar e superar os graves desafios que a história lhe coloca, dá o tom otimista da obra de Darcy Ribeiro, e marca O povo brasileiro, ao lado da denúncia reiterada do descaso das elites pelo povo e pela nação. Como outros autores, ele pensa que a reordenação social do país poderia ser feita "sem convulsão social, por via de um reformismo democrático". Mas, conhecendo o caráter da elite brasileira, e ao contrário daqueles que temem a revolução, ele pensa também que essa mudança pacífica "é muitíssimo improvável neste país em que uns poucos milhares de grandes proprietários podem açambarcar a maior parte de seu território, compelindo milhões de trabalhadores a se urbanizarem para viver a vida famélica das favelas, por força da manutenção de umas velhas leis" (O Povo Brasileiro).

“Todo artista tem de ir aonde o povo está”, cantou Milton Nascimento; todo cientista precisa fazer o mesmo caminho, ensinou Darcy Ribeiro. Graciliano teria gostado: é a mesma estrada que ele percorreu nas obras clássicas que legou.

Base aliada de Dilma se divide no Rio para o segundo turno


Dilma
Em Caxias, PT apoia a Alexandre Cardoso do PSB
O quebra-cabeça político formado pelas disputas e alianças que são travadas nas sete cidades do Rio de Janeiro onde haverá no domingo o segundo turno das eleições é um teste para a convivência pacífica entre os principais partidos da base aliada ao governo de Dilma Rousseff. Ora divididos, ora alinhados, PT, PMDB e PSB disputam os votos de três milhões de fluminenses em alguns dos maiores polos econômicos regionais do Estado. Haverá segundo turno em Niterói, São Gonçalo, Volta Redonda, Petrópolis, Duque de Caxias, Nova Iguaçu e Belford Roxo.
Motor econômico da Baixada Fluminense, Duque de Caxias traz o cenário politicamente mais interessante de se observar, pois, coisa rara no Rio, coloca em palanques separados o governador Sérgio Cabral e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lá, para incômodo da mídia tradicional que insiste em bater na tecla do rompimento entre os dois partidos, o PT apoia o PSB e seu candidato Alexandre Cardoso contra Washington Reis, do PMDB. Ainda não foi divulgada nenhuma pesquisa de opinião sobre o segundo turno da eleição na cidade. No primeiro turno, Cardoso obteve 34,4% dos votos válidos, contra 31,5% obtidos por Reis.
Ex-secretário de Ciência e Tecnologia do governo Cabral, Alexandre Cardoso tem boa relação com o governador, mas o maior incentivador de sua candidatura foi o senador petista Lindbergh Farias, que almeja chegar ao Palácio Guanabara em 2014. Nesse contexto, o governador aposta na vitória do correligionário Washington Reis, que, mesmo tendo um passado de muita proximidade com o ex-governador Anthony Garotinho (PR), tornou-se figura central no PMDB de Cabral para neutralizar o fortalecimento de Lindbergh na Baixada Fluminense, onde o petista já governou Nova Iguaçu. O candidato já declarado de Cabral em 2014 é o atual vice-governador, Luiz Fernando Pezão, também peemedebista.
É justamente na vizinha Nova Iguaçu, dando mostras do dinamismo da política na Baixada, que o improvável cenário de separação de palanques entre o PT e o PMDB se repete. A candidata Sheila Gama, do PDT, tendo o ex-presidente estadual do PT, Alberto Cantalice, como vice em sua chapa, conta com o apoio petista contra Nélson Bornier, do PMDB, que tem o apoio do governador. Também não há pesquisas relativas ao segundo turno na cidade. No primeiro turno, Bornier obteve 39% dos votos válidos, contra 20,1% da candidata pedetista.
A disputa em Nova Iguaçu traz outro ingrediente interessante, já que Lindbergh e Cabral estão sendo obrigados pelas circunstâncias político-eleitorais a engolirem antigos desafetos. Sheila Gama teve sérias desavenças políticas com o senador quando este era prefeito da cidade, fato que fez com que Lindbergh se mantivesse neutro no primeiro turno. O também ex-prefeito Nélson Bornier sempre se posicionou na ala do PMDB leal a Garotinho, apesar de não ter deixado o partido junto com o ex-governador, fato que irrita Cabral particularmente.
Lindbergh e Cabral, entretanto, foram convencidos pelas direções regionais e nacionais do PT e do PMDB a apoiarem os respectivos candidatos. Mais uma vez, o objetivo é não fortalecer Garotinho – que também mantém relações políticas com Sheila Gama – para a disputa estadual de 2014.

PT e PMDB unidos
Na maior parte das cidades em disputa prevalece a aliança entre PT e PMDB. É o caso de Niterói, onde o ex-secretário de Ação Social do governo Cabral, Rodrigo Neves (PT), enfrenta Felipe Peixoto (PDT), também ex-secretário de Cabral. O candidato petista conta com o apoio declarado deDilma, Lula e Cabral e é figura representativa da aliança firmada há seis anos entre PT e PMDB no Rio. Mas, não se sabe qual seria sua postura concreta no caso de um embate direto entre Lindbergh e Pezão em 2014. Na cidade litorânea, uma pesquisa realizada em 15 de outubro pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS) mostra Neves com 49,4% e Peixoto com 32% das intenções de voto.
Em Petrópolis, PMDB e PSB se enfrentam com os candidatos Bernardo Rossi e Rubens Bomtempo. Na última semana de campanha, a cidade da Região Serrana do Rio recebeu no mesmo dia a visita de dois caciques nacionais. O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, participou na terça-feira de um comício ao lado de Bomtempo, enquanto o vice-presidente da República, Michel Temer, acompanhou Rossi em atividades de rua. O candidato do PMDB também conta com o apoio do PT, que teve candidato próprio no primeiro turno, Paulo Mustrangi, mas conseguiu apenas o terceiro lugar.
Bomtempo, que já foi prefeito de Petrópolis por oito anos, chegou a ter sua ida ao segundo turno ameaçada pela Lei de Ficha Limpa, mas sua candidatura foi finalmente liberada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 18 de outubro, dez dias antes das eleições. O pouco tempo de campanha motivou a ida de Eduardo Campos à cidade. Já Michel Temer, sempre acompanhado de Cabral e do prefeito reeleito do Rio, Eduardo Paes, esteve também em Nova Iguaçu, Duque de Caxias e Volta Redonda para prestar apoio aos candidatos do PMDB. Também não há pesquisas de intenção de voto relativas ao segundo turno em Petrópolis.
Fator Garotinho
Nas outras três cidades onde haverá segundo turno, os partidos da base aliada ao governo Dilma estão lado a lado contra um adversário comum, o ex-governador Garotinho, que saiu fortalecido das urnas no primeiro turno e também já declarou sua intenção de se candidatar ao governo do Rio em 2014. A disputa mais acirrada se dá em São Gonçalo, segundo maior colégio eleitoral do Estado, onde Adolfo Konder (PDT), candidato da atual prefeita, Aparecida Panisset, e apoiado por PT e PMDB, enfrenta Neilton Mulin (PR).
Após a reeleição de Rosinha para a prefeitura de Campos no primeiro turno, Mulin tem merecido a atenção prioritária de Garotinho, que aposta em seu viés de alta. O candidato do PR obteve vaga no segundo turno ao ultrapassar nos últimos dias de campanha a candidata apoiada por Cabral, Graça Mattos (PMDB). No primeiro turno, Konder recebeu 41,6% dos votos válidos, enquanto Mulin recebeu 25,2%.
Em Volta Redonda, o atual prefeito, Antônio Francisco Neto (PMDB), conta com o apoio de toda a base aliada para derrotar o candidato de Garotinho, Jorge Zoinho (PR). Uma pesquisa realizada pelo Instituto Orbital nos dias 10 e 11 de outubro mostra uma situação de empate técnico entre os candidatos. Zoinho aparece com 50,7% das intenções de voto, contra 49,3% de Neto. O candidato peemedebista mereceu especial atenção de Cabral, Temer e Pezão nos últimos dias, já que a eleição em Volta Redonda é considerada um teste de fogo para o vice-governador, que foi prefeito da vizinha Piraí e goza de grande popularidade na região.
Em Belford Roxo, também na Baixada Fluminense, o candidato de Garotinho é Waguinho, do PRTB. Ele surpreendeu no primeiro turno ao atual prefeito, Alcides Rolim (PT), que chegou em terceiro lugar, apesar de contar com os apoios de seu partido e do PMDB de Cabral. Para vencer o segundo turno, a base aliada conta com a candidatura de Dennis Dauttman, do PCdoB, que aparece na pesquisa feita pelo IBPS com 58,3% das intenções de voto contra 26,5% do adversário. A direção nacional comunista também aposta seus esforços na vitória de Dauttman que, além de garantir ao PCdoB a administração de uma importante prefeitura, pode fortalecer o nome da deputada federal Jandira Feghali, também com olhos em 2014.
Por Correio do Brasil

Advogada e cineasta iranianos recebem prêmio da União Europeia


Diretor de cinema Jafar Panahi e a advogada Nasrin Sotoudeh receberam o prêmio da União Europeia
prêmio da União Europeia para direitos humanos e liberdade de pensamento foi concedido nesta sexta-feira a dois iranianos, uma advogada e um cineasta que estão reclusos no Irã por desafiarem a liderança do país.
A advogada de direitos humanos Nasrin Sotoudeh, de 49 anos e que está detida, e o cineasta Jafar Panahi, de 52 anos, foram agraciados com o Prêmio Sakharov do Parlamento Europeu por sua coragem em defender as próprias liberdades básicas e de outros, anunciou o Parlamento.
Nomeado em homenagem ao cientista soviético e dissidente Andrei Sakharov, o prêmio é atribuído pelo Parlamento Europeu anualmente desde 1988. Os primeiros ganhadores foram Nelson Mandela e o autor russo e dissidente Anatoly Marchenko. A banda russa de punk Pussy Riot também foi indicada este ano.
- O prêmio é… uma mensagem de solidariedade e reconhecimento a uma mulher e a um homem que não se curvaram pelo medo e pela intimidação e que decidiram colocar o destino de seu país antes de seu próprio – disse o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, ao anunciar os vencedores.
Marietje Schaake, integrante holandesa liberal do Parlamento que nomeou Sotoudeh para o prêmio, afirmou que os ganhadores devem chamar a atenção para a ação repressiva realizada pelas autoridades iranianas contra ativistas de direitos humanos.
Sotoudeh foi presa em setembro de 2010 por suspeita de divulgar propaganda e de conspirar para prejudicar a segurança do Estado. Ela cumpre pena de prisão de seis anos em confinamento solitário.
Ela defendeu jornalistas e ativistas de direitos humano, incluindo o ganhador do Prêmio Nobel Shirin Ebadi e a holandesa Zahra Bahrami, que foi enforcada em janeiro de 2011 sob acusação de tráfico de drogas.
Por Correio do Brasil

A derrota das oposições


Oposição
Ainda que Serra ganhe, Pochmann e Haddad é que entrarão para a história do partido de SP e do Brasil
Ainda não se sabe qual será o resultado do segundo turno. Vamos aguardar. Mas uma coisa já se sabe: a derrota, nestas eleições de 2012, fica com as oposições.
Em primeiro lugar, há uma derrota moral. Sem alternativas a propor, desossada do ponto de vista programático, em sua retórica nacional, capitaneada pela mídia conservadora e pelo candidato pessedebista à prefeitura de S. Paulo, tudo o que as oposições apresentaram foi a consigna de “remember Mensalão”.
Requentaram o prato inventado, nunca provado. Inventaram seu “herói alternativo”, o ministro Joaquim Barbosa, também de origem humilde, como Lula, o arqui-inimigo daquela direita. Ele, de bom, de mau ou de nenhum grado, acabou entrando no papel. Sobretudo, ao enfrentar de modo irado seu rival – o dr. Silvana para a mídia esclerosada – o ministro Lewandovski, que, sendo revisor, teimava em revisar.
Enquanto isso, em S. Paulo, o candidato excelso (pelo menos para ele) do conservadorismo promovia o pastor Silas Malafaia e seu obscurantismo a cabo eleitoral. Para o opositor, o candidato petista, meu colega de FFLCH/USP e amigo Fernando Haddad, a resultante não podia ser melhor. Contra ele pesava, por exemplo, o apoio do ex-menino dos olhos da direita brasileira, Paulo Maluf. Pois Serra veio lembrar que quem tem Malafaia no próprio telhado não joga Maluf no dos outros.
Em segundo lugar, há uma derrota temporal e espacial. Mais uma vez a direita brasileira demonstra seu anacronismo irreversível. No momento, a pensar nas pesquisas (vamos ver, ainda assim, o que sai das urnas no domingo), a sua melhor cartada é o renascimento de um carlismo defasado em Salvador. E, como em S. Paulo, estribado na diferença de classes. Bom, pelo menos isso está mais claro: rico reacionário vota na direita, e quem com isso se identifica também. Pobre, remediado, povo, povão, vota na esquerda. A direita rifou o povão. Este só entra em suas preocupações se for abençoado pelo pastor Malafaia.
Finalmente, em terceiro lugar, há uma derrota política insofismável e intragável para as nossas direitas. Talvez até para alguns setores da esquerda também. Porque a presidenta Dilma sai reforçada da eleição. E o ex-presidente Lula deu um show de bola. Lula sacou, avaliou, compreendeu que o PT, sobretudo em seu setor paulista, precisava de uma renovação. E apostou nisso. E deu certo. Aliás, a renovação deu certo até onde ela não foi planejada, como em Osasco.
Mesmo que não ganhem, Pochmann e Haddad entrarão para a história do partido, de S. Paulo e do Brasil. Dilma já entrou. Agora é a vez deles. Aliás, de Edmilson, em Belém do Pará, PSOL, agora apoiado por Lula e Dilma também. Aos golpes por vezes no fígado de algumas lideranças do PSOL, Lula e Dilma respondem com a generosidade da visão política avançada.
A direita não agüenta. Talvez um dia ela se reerga das próprias cinzas. Então deixará de fazer campanha para derrotar Lula em 2002.
Ou Vargas em 1950 e 1954, ainda quem sabe.
Por Flávio Aguiar - de Berlim - Correio do Brasil

Para quem não conheceu... e para quem conheceu


Uma volta ao passado nessas fotos. 
Velhos tempos!
Restaurante Nino na esquina da Domingos Ferreira com Bolivar. Alguém ai esteve no Nino?
DC3 da Varig no Aterro do Flamengo. O avião era atração da criançada que brincava no aterro. 
Ficou lá por muitos anos até ser removido nos anos 80 para frente do pátio de manutenção da 
VARIG no Galeão.
Tanque da Nautimodelismo no Aterro do Flamengo. 1970. O tanque está seco há décadas.
Esquina da Rua Miguel Lemos com Avenida Copacabana.1974. Detalhe das lojas Adonis Jr e da Belacap. 
E o carrinho da Rico.
Cine Veneza. Botafogo.
Bar Veloso. O bar funcionou de 1945 a 1967 na extinta rua Montenegro 49 em Ipanema. 
Hoje o endereço abriga o Garota de Ipanema e rua se chama Vinicius de Moraes. 
A foto é dos anos 60.
O famoso Bob´s de Copa o primeiro da história na rua Domingos Ferreira, entre Bolívar e Barão 
de Ipanema, Copacabana. O Bob´s foi fundado pelo tenista americano Robert Falkenburg em 
Copacabana em 1952 e em 1972 ele vendeu a marca e voltou para os EUA.
Lanchonete Chaplin na a Rua Visconde de Pirajá um pouco antes da Farme. Anos 70.
Bar Castelinho em Ipanema. Fechou nos anos 80.
Rua do Catete. Provavelmente anos 60/70.
Av. Visconde de Pirajá - New York City Discotheque – 1976.
Lanchonete Gordon Leblon. Qual era o melhor sanduíche Diabólico, Angélico, Goleiro e Toreador? 
A foto é do final dos anos 70.
Roxy Roller na Lagoa. 1982.
Bar Jangadeiro. 1971. Na Rua Visconde de Pirajá nº 80.
Café Lamas. A foto é de 1918. O Lamas existe há anos mas foi mudando de endereço com o 
passar do tempo. Nessa foto ele estava na Rua do Catete 295.
Cinema Ricamar na Av. Nossa Senhora de Copacabana. Foto é de 1978.
Praia de Ipanema Anos 70. Cachorro quente do GB Lanches. Uma delícia!!!
Cinema São Luiz no Catete que era uma sala só de aproximadamente 800 lugares. 
Hoje além do cinema ter sido dividido em 4 salas há também uma enorme galeria 
de lojas em baixo.
Bobs do Largo do Machado. Anos 60/70.
Cine Azteca na rua do Catete. Hoje funciona a galeria Catete 228.
Obras do Metrô no Largo do Machado. 1976. Esse grande buraco é a rua do catete 
e essa rua em primeiro plano é a Barão do Flamengo onde fica hoje a praça José de 
Alencar que pela foto parece que foi removida para obra.
Tobogã do Tivoli Park anos 80.
Praia de Ipanema. Em primeiro plano o Barril 1800 e o bar Castelinho logo atrás. Anos 70.
Cine Paissandu. 1982. Veja o restaurante Oklahoma nos tempos em que era bom.

Somos Naturalmente Egocêntricos?


Por Marcelo Szpilman

Temos que admitir que, no dia a dia, o mundo realmente parece girar ao nosso redor. Nesse exato momento, seja na casa do vizinho ou na china, bilhões de indivíduos, incluindo seus amigos, estão levando suas vidas, absortos em seus afazeres, mas efetivamente reais são os acontecimentos que nós estamos vivenciando agora.

Os outros acontecimentos são exatamente isso. Fatos vividos pelos outros. Os meios de comunicação, como a TV e a internet, até insistem em nos colocar diante desses fatos, mas, ainda assim, são realidades e narrativas distantes, somente imaginadas (ou visualizadas), mas não presenciadas. E muito menos vividas, curtidas ou sofridas.

Talvez por isso nos seja tão difícil envolver-se em questões que não fazem parte da nossa realidade cotidiana. Nesse instante, ao redor do Planeta, sem que tomemos conhecimento, uma espécie está sendo extinta na Natureza, uma área com tamanho de mil campos de futebol está sendo desmatada, uma tonelada de peixes está sendo desperdiçada, 130 tubarões estão sendo cruelmente assassinados para a remoção de suas nadadeiras e um ser humano está morrendo por falta de acesso à água limpa (potável).

De forma quase infantil, se não presenciamos essas realidades, elas parecem não existir. E a vida continua... No entanto, basta que a realidade bata à nossa porta, para que ela se torne bem presente. Pense nisso. Reflita. A percepção da realidade dos outros não requer grande altruísmo. Um pouco de desprendimento já está bom.

Haddad, Pochmann e o programa Luz para todos


Por Izaías Almada - Blog da Boitempo

Fui ao dicionário procurar o significado do adjetivo degradante, pois é sempre recomendável usar as palavras com o seu sentido exato. E lá está: “aquele ou aquilo que degrada”, isto é, aquilo que priva de graus (retira gradativamente) dignidades ou encargos. São sinônimos de degradante os adjetivos: aviltante, desonroso, infamante.
Pois bem: o degradante (aviltante, desonroso, infamante) espetáculo proporcionado pelo julgamento da AP 470, onde a maioria dos atuais membros do Superior Tribunal Federal não teve escrúpulos em jogar a justiça brasileira no lixo da história, condenando e absolvendo sem provas, está proporcionando ao país, além da revolta e ressaca moral pela pantomima, a possibilidade de inúmeras reflexões, muitas delas apaixonadas – é verdade – mas nem por isso isentas de seriedade e com a firme intenção de entender o que está acontecendo nesse novo e ao mesmo tempo velho Brasil.
Novo pela vontade de mudar, velho pelo medo de mudar. Novo porque os que de fato querem as mudanças não são muitas vezes compreendidos por muitos dos que sempre se julgaram a vanguarda das mudanças. Novo porque, por vezes, e muitos se esquecem disto, as antigas teorias também se tornam velhas. Novo porque o proletário que ousou arriscar mudanças não se encaixava muito bem no perfil de antigas teorias revolucionárias.
E o fato é que a nova, imperfeita e titubeante democracia brasileira acaba de fazer os seus primeiros e velhos presos políticos. Paradoxo? Ironia? Ou alguém em sã consciência ainda considera que José Dirceu, José Genoíno e o PT estão sendo julgados por corrupção?
A reflexão que faço é singela, sem escoras acadêmicas ou pretensamente eruditas, a saber: se o Partido dos Trabalhadores incomoda e desagrada a direita brasileira ao mesmo tempo em que não satisfaz aos sonhos dos mais arraigados fundamentalistas da esquerda, qual a razão do ódio que se tem dedicado a esse partido e a alguns de seus principais militantes? Leia-se a propósito as novas e inacreditáveis declarações do Sr. Plínio de Arruda Sampaio a respeito do partido que ajudou a fundar. Declarações dignas de um Gilmar Mendes ou de um Celso de Melo, velhos defensores do conservadorismo e do atraso nacional.
Por acaso o PT inventou a corrupção no Brasil? Seriam de fato suas necessárias alianças para governar tão espúrias assim? As diversidades de opiniões e de pontos de vista não pressupõem alianças político-partidárias quando não se tem maioria num Congresso de formação conservadora e dominado por lobbies ruralistas e rentistas entre outros?
Para não recuarmos muito na história do país, basta lembrar que a elite brasileira criou uma estrutura para o exercício do poder político que sempre a favoreceu. E quando essa estrutura se viu minimamente ameaçada, essa mesma elite apelou para golpes de estado, sedições e tentativas de impedimentos de posse para presidentes eleitos. Para o bem e para o mal, sem alianças com a burguesia e com os picaretas e oportunistas de plantão que habitam nossas casas legislativas (o que abrange todo o espectro partidário brasileiro, sem exceções) não se governa o Brasil. A estrutura está montada assim e não adianta choro ou ranger de dentes. Ou isso ou uma revolução popular… Ou isso ou uma estratégia para que se possa governar para os mais humildes, para a maioria, sem perder o poder político.
Se abrirmos ao longo do tempo a caixa preta das relações promíscuas entre governos municipais, estaduais e o governo federal com os órgãos de comunicação, por exemplo, para não falar das grandes obras de infraestrutura (favorecimentos, licitações de carta marcada, etc.), o odor da corrupção será insuportável. E isso há muitos e muitos anos. O que falar da construção de Brasília, por exemplo, ou das obras faraônicas durante a ditadura civil/militar? O metrô de São Paulo? As vergonhosas privatizações no governo entreguista de Fernando Henrique Cardoso, essa sim, uma corrupção comprovada por extenso material de investigação jornalística?
Dirão os mais ingênuos (ou cínicos?): mas em algum momento é preciso dar um basta à corrupção no país e alguém tem que servir de exemplo. Embora não me tenha na conta de cínico ou ingênuo, até concordo… Mas se o propósito dessa grande farsa jurídica montada em Brasília com o apressado julgamento do chamado “mensalão” é a exemplaridade, por qual razão não começar com outros julgamentos que esperam nas gavetas da Procuradoria Geral da República e do próprio STF?
E a corrupção que vem de cima, a do colarinho branco, aquela que é sabida e praticada pelos partidos que representam os interesses do poder econômico e dos grupos mais favorecidos da escala social? E tudo indica que não são poucos aí os homens e partidos envolvidos até ao pescoço. Aliás, sob esse aspecto, penso que alguns ministros nem deveriam estar no STF, muito embora eu não tenha as provas para acusá-los. Mas posso supor, pois agora já não se precisam de provas para acusar… Ou melhor, os ministros do supremo, se for o caso, que tratem de provar que são inocentes.
Por qual razão o exemplo tem que ser dado justamente com o partido que, bem ou mal, tem efetivamente trabalhado em função dos mais humildes? Ou existe outro partido à esquerda, no centro ou à direita que consiga crescer a cada eleição, que consiga superar os milhões de votos em eleições municipais e os mais de 60 milhões de votos em eleições federais?
A esse propósito sei que muito ainda se escreverá, mas como estamos a três dias do segundo turno eleitoral é sempre bom refrescar a memória e tentar minimamente um novo exercício consciente sobre o voto, mesmo que ainda seja o voto numa democracia burguesa, repito, falsamente representativa, mas com a qual temos que conviver e respeitar. Aprimorá-la, se possível, mas não à custa da criminalização da atividade política e de um julgamento com sérios indícios de farsa. E pior: com o desnudamento da falsa erudição de alguns integrantes do atual STF, onde o juridiquês e certa linguagem eivada de maledicências e descabidas ironias, para dizer o mínimo, revelam em que mãos (ou cabeças) o país deposita a imparcialidade que se espera da justiça.
Avanços e recuos à parte, o Brasil chega aos primórdios do século XXI ainda carente de instituições verdadeiramente democráticas e onde uma investida hegemônica dos meios de comunicação de massas, cada vez mais avassaladora e partidarizada, assume arrogantemente e acima das leis o papel de dona da verdade, demonizando o Partido dos Trabalhadores e a esquerda em geral, incluindo-se aqui a esquerda que duvida da própria esquerda.
No próximo domingo muitas cidades realizam o segundo turno das eleições municipais. Aqui no estado de São Paulo, duas delas – a capital e Campinas – podem fazer avançar as perspectivas do novo Brasil que, sob fogo da direita tradicional e da desconfiada esquerda de nariz torcido, vai lentamente acordando o gigante pela própria natureza.
As vitórias de Fernando Haddad em São Paulo e Márcio Pochmann em Campinas, se assim entender a maioria dos eleitores, poderá ampliar e repercutir no imaginário político brasileiro aquela que já é uma realidade adquirida em apenas um dos impactantes programas dos governos Lula/Dilma: o luz para todos. Como disse o ex-presidente Lula em seu último comício em São Paulo: os postes da nova geração do Partido dos Trabalhadores irão iluminar a política brasileira.
A partir do julgamento do voto, caberá, então, ao povo brasileiro estabelecer rapidamente a dosimetria com que deveremos avançar na reforma política, na reforma do judiciário e em nova regulamentação da lei de imprensa. Todo poder emana do povo e em nome dele deverá ser exercido.