Sob o meu olhar

Aqui neste blog, vocês poderão ver, ler e comentar a respeito do que escreverei. Por meio deste meu olhar sincero, tentarei colocar artigos e dar minha opinião sobre questões atuais como politica, problemas sociais, educação, meio ambiente, temas que tem agitado o mundo como um todo. Também escreverei poesias e colocarei poemas de grande poetas que me afloram a sensibilidade, colocarei citações e frases pequenas para momentos de reflexão.
É desta forma que vou expor a vocês o meu olhar voltado para o mundo.

19/07/2012

A herança da ditadura nos quartéis

WADIH DAMOUS - presidente da OAB-Rio.


O Globo, 19/7/2012Assim como eu, muitos leitores devem ter ficado estarrecidos ao tomarem conhecimento, na coluna Panorama Político na edição do GLOBO do último dia 12, das músicas cantadas na véspera por soldados do I Batalhão da Polícia do Exército em exercício pelas ruas da Tijuca. “Bate, espanca. Quebra os ossos. Bate até morrer”, berravam os soldados, marcando as passadas. O instrutor retrucava: “E a cabeça?”. “Arranca a cabeça e joga no mar”, gritavam os soldados. Por fim, o instrutor perguntava: “E quem faz isso?” E os soldados respondiam: “É o esquadrão caveira.”

Naquele quartel funcionou, na década de 70, o famigerado DOI-Codi, o principal palco de torturas e assassinatos de presos políticos no estado. Pelo visto, sua filosofia permanece em vigor.

E, mais do que o desequilíbrio de um tenente ou sargento instrutor, o episódio revela coisa pior.

Não se procedeu à extirpação das heranças da ditadura, pois que no Brasil não houve uma Justiça de Transição, como em outros países do Cone Sul. Sequer os arquivos dos órgãos militares que participaram da repressão política ou decretos secretos do regime militar são conhecidos — mais de 25 anos depois do fim da ditadura.

Torturadores foram homenageados há pouco tempo em clubes militares. E, recentemente, o paraninfo da turma de jovens oficiais formados na Escola de Agulhas Negras foi o general Médici, responsável pelo período mais duro do regime militar.

Como se vê, a música dos soldados nas ruas da Tijuca não é episódio isolado. Algo está 
fora dos eixos nas nossas Forças Armadas e na formação de seus oficiais e soldados.

A recém-criada Comissão Nacional da Verdade pode ajudar a mudar esse quadro e lançar luz sobre episódios tenebrosos ocorridos na ditadura. Se fizer isso, estará ajudando a semear na sociedade a rejeição a torturas e assassinatos de cidadãos sob a guarda do Estado, e criando anticorpos para que a barbárie não se repita.

No Brasil de hoje, os militares já não estão no primeiro plano da política, mas, dos bastidores, ainda se reservam o direito da última palavra em questões que lhes digam respeito diretamente, como a formação de quadros nas Forças Armadas. Tudo funciona como se, na democracia em que vivemos, os militares não se imiscuíssem diretamente na política, mas tivessem salvo-conduto para fazer nas Forças Armadas o que bem desejam.

A herança da ditadura e a influência dos militares em terrenos que não deveriam dizer-lhes respeito se fazem notar também em outros lugares do aparelho do Estado — veja-se, por exemplo, a decisão do Supremo Tribunal Federal, que estendeu os benefícios da Lei da 
Anistia a torturadores e assassinos de presos.


Tal situação não é aceitável na democracia. As Forças Armadas são uma instituição nacional, devendo servir para defender o país contra agressões externas; e, no plano interno, garantir a ordem democrática e o estado de direito. Daí que a formação de seus integrantes deve prepará-los para essas funções e, também, para algo inseparável delas: o respeito aos direitos humanos.

Mesmo numa guerra, não é aceitável que militares “espanquem o inimigo até que este morra”, ou que “cortem sua cabeça e a joguem no mar”, como reza a música cantada pelos soldados da PE. Afinal, também os conflitos armados têm seus códigos e regras.

Educar os militares com base em tais concepções significa prepará-los para o desrespeito às convenções que regem as guerras. E — ainda pior — para o desrespeito aos direitos humanos, mesmo em períodos de paz.

Por isso, a formação dos militares deve ser assunto da sociedade como um todo, e não monopólio de viúvas de uma era tenebrosa que os brasileiros não querem mais de volta.

É preciso reformar e adequar as Forças Armadas à democracia.

Para as mulheres caras!

Foi num longo bate papo entre mulheres que descobri que é fácil classificá-las por seu valor: 

Cara é a mulher que quando a vida lhe deu um limão fez logo a limonada. Uma jarra enorme, gelada e adoçada.
Barata é a que ficou azeda. 

Cara é a mulher que diante dos sonhos desfeitos, reorganizou-os como pode, juntou caquinhos no chão, catou migalhas, mas se refez.
Barata é a que manteve sonhos extintos, virou o pesadelo dos que a cercam e nunca acordou. 

Cara é a mulher que descobriu seu corpo, apaixonou-se pelos seus defeitos e aprendeu a exibir-se com a maestria de quem é segura de seu poder.
Barata é aquela que nem sabe como é, não ousou se conhecer e vive tentando se esconder. 

Mulher cara tem brilho nos olhos.
Barata só tem rugas. 

Cara é a mulher que saiu a luta, foi ao fundo do poço e…voltou!
Barata é quem vive nas bordas, dependurada, sem coragem de se soltar. 

Cara é a mulher que muda de casa, de cidade, de país, de marido, de namorado, de emprego quantas vezes for preciso mas se mantém fiel aos seus princípios.
Barata até muda, mas só a casca. Por dentro mantém as paredes rachadas, o relacionamento falido, o fracassado passado. 

Cara é a mulher que tem assunto: Fala de política, moda, cozinha e amor com a mesma desenvoltura.
Barata só fala dos outros, porque de si mesma nada tem de interessante para contar. 

A mulher cara ri a toa, é feliz com o que tem, e de tão bem humorada ri até de si mesma.
A mulher barata é carrancuda. Reflete por fora o que realmente é por dentro, não sorri…finge. 

Mulher cara tem amigos. Muitos. Verdadeiros e pela vida inteira. Amigos que a admiram e defendem até debaixo d’água.
A barata tem conhecidos. Gente que foge como o diabo da cruz mas que quando não tem jeito…a aturam. 

A cara é desprendida e solta.
A barata é pegajosa. 

A cara é leve e livre.
A barata é pesada e presa. 

Mulher cara tem preço sim e sabe disso. É rara no mercado.
Mulher barata tem aos montes. Pilhas, lotes, containers lotados!

SEJAMOS, ENTÃO, MULHERES CARAS. 

A morte não terá domínio (Luis Fernando Verissimo)


Li que Samuel Beckett dizia que quem morria passava para outro tempo. Não queria dizer outro mundo, com um presumível outro clima. Referia-se ao tempo do verbo. Entre todas as mudanças provocadas pela morte havia essa: o morto passava irremediavelmente ao pretérito. Era bom pensar assim. A morte acontecia no mundo antisséptico das palavras e das regras gramaticais, nada a ver com a decomposição da carne. O "é" transformava-se em "era" e "foi", e pronto. A migração do morto, em vez de ser da vida para o nada, era só entre categorias verbais.


A vida vista como uma narrativa literária nos protege do horror incompreensível da morte. Podemos nos imaginar como protagonistas de uma trama, que mesmo quando não é clara indica alguma coerência, em algum lugar. O próprio Beckett só escreveu sobre isso: a busca de uma trama, qualquer trama, por trás do aparente absurdo da experiência humana. E um enredo, ou um sentido que faça sentido, só pode ser buscado na narrativa literária, no encadear de palavras que leva a uma revelação, mesmo que esta não explique nada, muito menos a morte. E se falar, falar, falar sem cessar, como fazem os personagens do Beckett na esperança de que aflore algum sentido não der resultado, pelo menos está-se fazendo barulho e mantendo a morte afastada. A literatura tem essa função, a de uma fogueira no meio da escuridão da qual a morte nos espreita. Ou de uma matraca contra o silêncio final. Vale tudo, mesmo a garrulice incoerente de um personagem do Becket, contra a escuridão e o silêncio.

Num poema que fez sobre seu pai moribundo Dylan Thomas o insta a reagir ferozmente contra o esvaecer da luz - "Rage, rage against the dying of the light" - e a não se entregar à morte sem uma briga. Não sei se o Beckett encontrou o consolo que procurava pelos seus mortos na ideia de que tinham apenas mudado de tempo de verbo mas imagino que, como Dylan Thomas na sua poesia inconformada, tenha recorrido à literatura como um meio de negar à morte o seu triunfo. Ninguém morre. Há apenas uma revisão na narrativa da sua vida para atualizar o tempo dos verbos. Outra vez Dylan Thomas: "And death shall have no dominion", e a morte não terá domínio.

Diz-se que quem morreu "já era", o que é o mesmo que dizia o Beckett com mais sensibilidade. Mas Beckett queria dizer mais. Os personagens de narrativas literárias mudam do tempo presente para o tempo passado mas continuam no mundo, mesmo que no mundo restrito dos livros e das estantes. Salvo, talvez, os cupins e as traças, nada ameaça a sua perenidade. "São" eternamente.

Libros esenciales (Delfina Acosta)


N
o todos los libros que lucen en los estantes de las librerías, con un refuerzo o aval de críticas elogiosas, deben ser leídos por el hombre que busca conocimiento. Ocurre que hay un trasfondo de marketing, de premios pactados, de maniobras publicitarias, detrás de cientos de materiales literarios. Así pues, las gentes deseosas de dar su tiempo y su capacidad analítica a textos que realmente ameriten una lectura deben ser selectivas y cuidadosas en el momento de adquirir una obra.

El libro que recoge la sabiduría y la fuente de todo conocimiento es la Biblia. Se encuentra en ella una ruta de vida, una dirección eficaz y real, una solución ante las dificultades que se nos van presentando en nuestro paso por este mundo, y un puente de luz hacia el más allá.
Otro libro que suma, que aporta al enriquecimiento espiritual, es La Divina Comedia, del gran poeta Dante Alighieri. A lo largo de la historia y hasta la fecha, La Divina Comedia es considerada por los críticos como una obra magistral de la literatura italiana y una de las cumbres de la literatura universal. Se trata de un largo canto dividido en tres actos que arrima al alma revelaciones de carácter casi divino.
Existe un material literario que recoge toda la experiencia de la picardía y que atesora muchas lecciones. Me refiero a El lazarillo de Tormes. No se sabe quién escribió tan genial novela de carácter autobiográfico. Tiene que ver con las andanzas de un niño cuya existencia, manejada por amos despiadados e inmorales, deja en evidencia la hipocresía con que se desenvuelven ciertos personajes religiosos. Creo, particularmente, que es un texto de advertencias.
Cumbres borrascosas, de la inmortal escritora inglesa Emily Bronte, es una novela cuya grandeza radica en la firme y esplendorosa prosa poética con que ha sido concebida y desarrollada. En el momento de su aparición causó desconcierto en los críticos. Tanta madurez y tan fina como cuidadosa elaboración en el trazado del argumento y el desplazamiento de las ideas y el lenguaje, nos hace pensar que Emily Bronte fue una escritora tocada por la gracia de Dios.
No caigan los lectores en las voces seductoras y engañosas de materiales de lectura de los que no se saca ningún provecho. Apuesten a los libros de real peso literario que enriquecen la mente y el ánimo y definen un camino espiritual.

China propõe aliança estratégica ao Mercosul: um dragão no quintal




ESCRITO POR RAÚL ZIBECHI
  
QUI, 19 DE JULHO DE 2012

A crise política no Paraguai e suas repercussões na região deixaram a visita do primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, e a renúncia no principal cargo do Mercosul em um segundo plano da agenda de notícias. A China mostrou que está disposta a jogar pesado, inclusive na principal área de influência dos Estados Unidos.

A polêmica após o golpe no Paraguai, a suspensão do país do Mercosul e o ingresso da Venezuela não conseguem disfarçar as dificuldades do bloco, aflito pelas consequências da crise global e a ascensão da China como potência global. A aliança está parada porque o que convém para uns prejudica outros.

A expressão das dificuldades foi a demissão do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, secretário geral do Mercosul, na recente cúpula em Mendoza. Em sua carta de despedida trazia uma análise lúcida da realidade atual do bloco.

Observa-se que a crise econômica na Europa e EUA e a ascensão da China geram um enorme fluxo de capital para o sul, que "corroi as relações intra-Mercosul, base principal do processo de integração". A desindustrialização, diz ele, é uma das piores conseqüências e deve ser tratada através dos recursos da exportação de commodities.

Expansão gradual

Em um dos parágrafos mais polêmicos, Pinheiro disse que a Unasul "não pode ser a pedra fundamental para a construção do bloco econômico na América do Sul" porque o Chile, Colômbia e Peru assinaram Tratados de Livre Comércio com os Estados Unidos que impossibilitam a construção de políticas regionais de promoção do desenvolvimento.

Assim, acredita que o bloco regional deve ser formado "a partir da expansão gradual do Mercosul", incluindo Venezuela, Equador, Bolívia, Suriname e Guiana. O último deve ter condições de entrada especiais por conta de seu baixo nível de desenvolvimento e interesse político que têm para a região.

Para avançar, diz o embaixador, o bloco deve aumentar de forma significativa a coordenação política e a cooperação econômica. “A característica central do Mercosul são as assimetrias”, que provocam tensões políticas. Aposta numa forte expansão dos recursos do Fundo para a Convergência Estrutural, para favorecer os menores, que atualmente conta com apenas 100 milhões de dólares anuais.

Talvez o momento mais brilhante de sua carta seja o parágrafo 34: "Em um mundo multipolar em crise, com grandes mudanças no poder, não é de interesse de nenhum bloco e de nenhuma grande potência a criação ou fortalecimento de um novo bloco de Estados, especialmente se forem periféricos. Qualquer grande potência considera mais apropriado negociar acordos com os Estados individualmente, especialmente se eles são subdesenvolvidos, mais fracos econômica e politicamente".

Apenas os membros do Mercosul estão interessados ​​em seu bloco. No entanto, quando foi criado em 1991 não foi projetado como um organismo para apoiar o desenvolvimento, mas como uma união aduaneira para promover o livre comércio. A proposta de Pinheiro é que ele se torne capaz de promover um desenvolvimento regional harmonioso e equilibrado, eliminando assimetrias e construindo uma legislação comum de forma gradual.

Esta mudança é necessária porque as respostas dos países industrializados para a crise são “uma verdadeira suspensão, na prática, dos acordos da OMC negociados na época da hegemonia do pensamento neoliberal. Se o Mercosul não adotar essas medidas, vai sobreviver, mas sempre manco, e não se transformará em um bloco de países capazes de defender e promover os seus interesses neste novo mundo que emergirá da crise que vivemos”. O diagnóstico feito por um dos principais intelectuais do Brasil sugere que o mundo está entrando em um período de crescente protecionismo, daí a necessidade de formar fortes blocos comerciais internos.

China se anima

Wen Jiabao, primeiro-ministro chinês, visitou a região quando ocorreu o golpe no Paraguai. O ponto alto da sua visita ao Brasil, Uruguai e Argentina foi a videoconferência realizada de Buenos Aires na segunda-feira, 25 de junho, com Dilma Rousseff, Cristina Fernandez e José Mujica.

De acordo com a agência Xinhua China, o primeiro-ministro fez três propostas: fortalecer a confiança mútua e a comunicação estratégica com o Mercosul; duplicar o comércio para 2016, chegando a 200 bilhões de dólares; aumentar investimentos e cooperação financeira e tecnológica, promovendo as relações bilaterais no domínio da educação e cultura (Xinghua, 25 de junho de 2012).

A proposta de Wen Jiabao foi interpretada por seus interlocutores como o que realmente é: uma grande aliança estratégica que inclui também um Tratado de Livre Comércio China-Mercosul. A destacar que o Paraguai deveria ser suspenso do Mercosul, uma vez que não tem relações com a China. Dois dias depois, deu uma palestra principal da CEPAL, em Santiago, Chile.

Sua proposta dirigida a América Latina e Caribe consiste em “combater o protecionismo”, “aprofundar a cooperação estratégica” e abrir novos mercados com o objetivo de que o intercâmbio comercial bilateral “supere os 400 bilhões de dólares nos próximos cinco anos” (Xinghua, 26 de junho de 2012). Ele propôs uma cooperação em que a China dará uma contribuição inicial de 5 bilhões de dólares e uma linha de crédito de 10 bilhões, do Banco de Desenvolvimento da China, para a construção de infraestruturas.

Também propôs uma ampla cooperação agrícola e estabelecimento de um mecanismo de reserva alimentar de emergência, de 500 mil toneladas, destinadas a contingências naturais, incluindo a instalação de centros de pesquisas e desenvolvimento em ciência e tecnologia agrícolas.

A oferta parece tentadora no momento em que o Mercosul atravessa grandes dificuldades. A CEPAL elaborou um documento chamado “Diálogos e cooperações aos novos desafios mundiais”, que analisa as possibilidades que se abrem na região para a ascensão da China. Alicia Barcenas, Secretária Executiva da CEPAL, disse no prefácio que a região está enfrentando uma oportunidade histórica de dar um salto em inovação, infra-estrutura e recursos humanos, ou "traduzir os rendimentos dos recursos naturais em várias formas de capital humano, físico e institucional. "

Para dar este salto deve atrair investimento direto da China, que lhe permite diversificar as exportações. Das 40 seções incluídas no documento, uma deve ser especialmente atendida com a participação dos países da América do Sul: em 2030 dois terços da população de classe média vai viver na região da Ásia-Pacífico, em comparação com apenas 21% na Europa e América do Norte.

Consequentemente, a classe média asiática se transformará em “mercado chave para alimentos, confecções de maior qualidade, turismo, remédios, serviços médicos, varejo e artigos de luxo”, o que permitirá que a América Latina diversifique suas exportações e lhes some valor agregado. Acrescenta que a internacionalização do yuan pode beneficiar a região e que a China se tornou seu segundo parceiro comercial.

Por una agenda regional

Dentre as constatações, destacou que a ascensão da China para a região da América do Sul pode ampliar os ciclos favoráveis ​​de comércio que tem vivido desde 2003. “Se não se aproveitar agora, poderá acentuar o processo de reprimarização da exportação, estabelecendo modalidades renovadas do vínculo centro-periferia”.

A CEPAL aponta a necessidade de estabelecer uma "agenda regional de prioridades sincronizadas", que supere as iniciativas unilaterais. Em outras palavras, o que importa é o que ele chama de "desafio interno". Neste ponto decisivo, a análise de Samuel Pinheiro e da CEPAL coincidem plenamente. No entanto, a guerra comercial entre os membros do Mercosul continua sendo um fator desestabilizador.

Muitas vezes, as divisões vão da escala econômica à política. A entrada da Venezuela decidida na cúpula de Mendoza provocou reações encontradas. É o tipo de problema referido por Pinheiro: falta de confiança, falta de visão estratégica, domínio das questões locais sobre as gerais e do curto prazo sobre o longo, além de incapacidade em compreender as mudanças globais. Em outras palavras, é a prevalência de "politicagem". O que está em jogo é muito mais importante e nem todos parecem entender.

Dona Europa e suas filhas




ESCRITO POR FREI BETTO   
QUI, 19 DE JULHO DE 2012

Dona Europa livrou-se, há séculos, da tutela do Senhor Feudal, ao qual esteve submetida ao longo de mil anos. Cabeça feita por Copérnico, Galileu e Descartes, casou-se com o Senhor Moderno Liberal e montou casa no bairro da Democracia.

Dona Europa puxou o tapete dos nobres, deu um chega pra lá no papa e elegeu governos constitucionais que trocaram a permuta pela moeda, evitaram fazer uso de mão de obra escrava, transformaram antigos camponeses em operários merecedores de salários.

Dona Europa passou a nutrir ambições desmedidas. Fitou com olho gordo no imenso mapa-múndi que enfeitava a sala de sua casa. Quantas riquezas naquelas terras habitadas por nativos ignorantes! Quantas áreas cultiváveis cobertas pela exuberância paradisíaca da natureza!

Dona Europa lançou ao mar sua frota em busca de ricas prendas situadas em terras alheias. Os navegantes invadiram territórios, saquearam aldeias, disseminaram epidemias, extraíram minerais preciosos, estenderam cercas onde tudo, até então, era de uso comum.

Dona Europa praticou, em outros povos, o que se negava a fazer na própria casa: impôs impérios, reinados e ditadores; inibiu o acesso à cultura letrada; implantou o trabalho escravo; proibiu a industrialização; internacionalizou normas econômicas que lhes eram favoráveis, em detrimento dos povos alhures.

Um dos povos de além-mar dominados por Dona Europa ousou rebelar-se em 1776, emancipou-se da tutela e se tornou mais poderoso do que ela – o Tio Sam.

O professor Maquiavel ensinou à Dona Europa que, quando não se pode vencer o inimigo, é melhor aliar-se a ele. Assim, ela associou-se a Tio Sam para exercer domínio sobre o mundo.

Dona Europa e Tio Sam acumularam tão espantosa riqueza que cederam à ilusão de que seriam eternos o luxo e a ostentação em que viviam. Tudo em suas casas era maravilhoso. E suas moedas reluziam acima de todas as outras.

Ora, não há casa sem alicerce, árvore sem raiz, riqueza sem lastro. Para manter o estilo de vida a que se acostumaram, Dona Europa e Tio Sam gastavam mais do que podiam. E, de repente, constataram que se encontravam esmagados sob dívidas astronômicas. O que fazer?

A primeira medida foi a adotada em turbulência de viagem de avião: apertar os cintos. Não deles, óbvio. Mas de seus empregados: despediram alguns, reduziram os salários de outros, deixaram de consumir produtos importados. Assim, a crise da dupla se alastrou mundo afora.

Dona Europa e Tio Sam não são burros. Sabem onde mora o dinheiro: nos bancos. Tio Sam, ao ver o rombo em sua economia, tratou de rodar a maquininha da Casa da Moeda e socorreu os bancos com pelo menos US$ 18 trilhões.

Dona Europa tem várias filhas. Segundo ela, algumas não souberam administrar bem suas fortunas. A formosa Grécia parece ter perdido a sabedoria. Gastou muito mais do que podia. O mesmo aconteceu com a sedutora Itália, a encantadora Espanha e a inibida Irlanda.

Como o cofre da família é de uso comum, Dona Europa se cobriu de aflições. Puniu as filhas gastadoras e apelou à mais rica de todas, a severa Alemanha, para ajudá-la a socorrer as endividadas.

A Alemanha é manhosa. Disse que só socorre as irmãs se puder controlar os gastos delas. O que significa cortar as asinhas das moças – o que em política equivale a anular a soberania.

Soberana hoje, na casa de Dona Europa, só a pudica Alemanha. O resto da família é dependente e está de castigo. A mais cheirosa das filhas, a França, anda rebelde. Após aparecer de mãos dadas com a Alemanha, agora que arrumou namorado novo encara a irmã com desconfiança.

Nós, aqui do sul do mundo, que ainda não cortamos o cordão umbilical com Tio Sam e Dona Europa, corremos o risco de ficar gripados se Dona Europa continuar a espirrar tanto, alérgica ao espectro de um futuro tenebroso: a agonia e morte do deus Mercado, cujos fiéis devotos mergulharam em profunda crise de descrença.

Rajoy: la "destrucción creativa" del neoliberalismo.


Lean el interesantísimo artículo de Xavier Sala i Martín sobre la crisis española. Lo publicó y, poco después, su nota fue retirada de la versión digital del periódico La Vanguardia (Barcelona). Recordar que para el economista Joseph Schumpeter la dinámica del capitalismo se basaba en las supuestas virtudes de la "destrucción creativa." Lo que nunca imaginó este autor es que en esa ecuación la parte destructiva superó con creces a lo creativo. Y no sólo en España, sino en todo el mundo.



COMO DESTRUIR LA ECONOMÍA 
DE UN PAÍS LLAMADO 
"ESPAÑA Y OLÉ" 

AUTO SUICIDIO, de Xavier Sala i Martín en La Vanguardia 17-06-2.012
ARTÍCULO CENSURADO Y RETIRADO DE LA VERSIÓN DIGITAL DE LA VANGUARDIA.
 
A ver. Pensemos...

Si el peor enemigo de un país diseñara un plan para destruir su economía, ¿qué haría?

Pues supongo que intentaría desacreditar sus instituciones más importantes para sembrar la desconfianza entre los ciudadanos y que estos dejaran de consumir e invertir.

La estrategia podría empezar por desprestigiar a la primera autoridad (sea rey o presidente de la república) llevándole a cazar elefantes con una señorita alemana.

En medio de la cacería le obligaría a resbalar y a romperse la cadera para que tuviera que volver urgentemente a su país.
Así todo el mundo vería cómo se gasta decenas de miles de euros en un momento en que sus conciudadanos se hunden en la miseria.

Para rematar la faena, forzaría a un familiar próximo (por ejemplo, un yerno) a apropiarse de millones de euros explotando su influencia y luego expondría sus travesuras a la luz pública.
Es importante empezar sembrando dudas sobre la conveniencia de mantener en el poder a la primera familia del país.

A continuación exigiría a los miembros del Parlamento que siguieran una regla simple:

“Vota siempre lo contrario de tu adversario incluso cuando tiene razón e incluso cuando propone lo mismo que proponías tu en la anterior legislatura”.

Es crucial que la ciudadanía pierda la confianza en su clase política.

Seguiría con los más altos órganos del poder judicial.

Por ejemplo, haría que el presidente del Tribunal Supremo y del Consejo General del Poder Judicial se gastara dinero público para pasar fines de semana románticos en la Costa del Sol con su chófer (masculino).

Una vez malversado el dinero filtraría las facturas para desatar el escándalo y, acto seguido, haría que los jueces compañeros pusieran trabas a la investigación para proteger a su amigo.

Intentaría que eso pasara justo en el momento en que alcaldes, presidentes de comunidades y parlamentos y altos cargos de las administraciones del Estado están siendo juzgados por corrupción… ¡por esos mismos tribunales!

La desconfianza en la justicia es el mecanismo más seguro para hundir a un país.

Una vez desacreditado el jefe del Estado, las altas esferas de la política y la justicia, iría a por las élites económicas.

Aquí se podría lanzar un ataque contra uno de los empresarios más prestigiosos del país, posiblemente un banquero, destapando unas cuentas con miles de millones de euros en Suiza y, una vez destapado, haría que el Gobierno no le castigara.

Además, indultaría a uno de sus altos ejecutivos previamente condenado por sentencia firme (SANTANDER).

El siguiente paso consistiría en dilapidar miles de millones de euros de dinero público para evitar la quiebra de unos bancos y cajas por amigos, parientes y correligionarios políticos.

Y lo haría justo en el momento de pedir sacrificios y recortes de miles de millones a los ciudadanos.

Es esencial que la gente confunda libre mercado con amiguismo incestuoso entre poder empresarial y político.

Sin abandonar el terreno económico, obligaría al Banco Central y a la Comisión Nacional del Mercado de Valores a autorizar la salida a bolsa de uno de los mayores Bankios del país, a sabiendas de que estaba arruinado.

Eso haría que miles de ciudadanos perdieran sus ahorros comprando acciones de una empresa que ya estaba muerta antes de nacer.
Para hundir a un país, hay que conseguir que la gente de a pie pierda sus ahorros y que las entidades supervisoras que (en teoría) les protegen, contribuyan a su ruina.

Y finalmente, pondría a un gobierno incompetente a la hora de gestionar problemas económicos.
De hecho, lo haría durante dos legislaturas seguidas y con partido distinto en cada una de ellas.

Eso demostraría que la incompetencia no es de un solo partido sino de la clase política en su conjunto.

Los sucesivos gobiernos negarían las crisis económicas y echarían la culpa de todo a los extranjeros malignos.

Como traca final, haría que las autoridades europeas rescataran al sistema bancario del país y obligaría al presidente del Gobierno a negar repetidamente que se trata de un rescate.

También le forzaría a mentir argumentando que el rescate no tiene condiciones (o sólo “condiciones favorables”), cosa que los mismos europeos negarían unas horas más tarde.

Eso refrescaría la memoria de todos, recordándoles que quienes mandan son los mismos que mintieron con los “hilillos de plastelina” y las “dos vías de investigación”.

Es más, cuando la sociedad pidiera la comparecencia del presidente ante el Parlamento para dar explicaciones, le obligaría a decir (sin que se le escapara la risa) que su agenda internacional está tan llena que no hay tiempo para ir al Parlamento… y acto seguido cogería una avión oficial y me lo llevaría a ver un partido de fútbol con cargo al contribuyente.

La mofa y el escarnio llegarían a todos los rincones del planeta: “You say tomato, I say bailout”.

Esa sería la puya final ya que, unida al desprestigio de todas las grandes instituciones del país, eliminaría toda esperanza de salir del profundo agujero.

Los ánimos de la ciudadanía se hundirían, por fin, en la más profunda depresión.

Y ese sería el plan que diseñaría el peor enemigo de uno.

¡Sí! Ya sé que es tan retorcido, maquiavélico y exagerado que parece improbable que nadie nunca lo pueda llevar a cabo…

Pero nunca digas nunca porque siempre puede aparecer un país de pandereta cuyo peor enemigo sea él mismo y cuyas instituciones, todas y cada una de ellas, estén dispuestas a desprestigiarse a sí mismas ante el asombro del mundo entero, para conseguir el objetivo común: ¡el autosuicidio!