Sob o meu olhar

Aqui neste blog, vocês poderão ver, ler e comentar a respeito do que escreverei. Por meio deste meu olhar sincero, tentarei colocar artigos e dar minha opinião sobre questões atuais como politica, problemas sociais, educação, meio ambiente, temas que tem agitado o mundo como um todo. Também escreverei poesias e colocarei poemas de grande poetas que me afloram a sensibilidade, colocarei citações e frases pequenas para momentos de reflexão.
É desta forma que vou expor a vocês o meu olhar voltado para o mundo.

08/06/2011

“Um espanto tão intenso”


O terremoto e o tsunami que atingiram o Japão no dia 11 de março começam a perder espaço na mídia. Parece ser o destino das grandes dores e crises da humanidade, o serem sucedidas pela necessidade de acreditar que foram algo excepcional, mas não a ponto de nos tirar da rota segura do cotidiano. Os bilhões de pessoas que se chocaram com a tragédia praticamente em tempo real, provavelmente sentiram, em meio à compaixão, o alivio de não estarem lá, de não vivenciarem o terror que arrasou territórios, vidas, infraestrutura, tudo, em tão pouco tempo.
Contudo, por mais que o assunto “tsunami no Japão” esteja próximo da página virada, de refluir aos nichos especializados, algo permanece no sistema de alerta de todos nós: e nossa fragilidade diante da natureza? e os riscos da energia nuclear? Esse tema, em evidência nos anos 70 e 80 do século passado, ressurge em outra dimensão, com outras perguntas, necessariamente associadas ao descontrole climático-ambiental que vivemos.
A questão não está no mérito da tecnologia nuclear, mas no seu entorno, naquilo que o aprendizado das últimas décadas nos ensinou, ou seja, é mais importante o olhar abrangente, para as cadeias de causas e conseqüências, do que para um ponto fixo.
A alternativa nuclear para a geração de energia é o ponto fixo, mas os opções de vida da humanidade, aparentemente escudadas por tecnologias inexpugnáveis e admiráveis, é que estão em jogo. Elas são frágeis, muito frágeis, embora queiram aparentar onipotência e domínio de suas circunstâncias. A principal – a de estarmos num planeta que precisa ser levado em conta como organismo vivo carente de cuidados – tem-se aproximado de seus limites sem que isso seja levado em conta em todo seu profundo significado.
As grandes potências da geopolítica mundial têm sido confrontadas com suas vulnerabilidades e, ao final, com sua humanidade. A impotência da potência, tal como costumamos entendê-la, por critérios de força militar e capacidade tecnológica, é um poderoso sinal para deixarmos de mistificar. É hora de recriarmos nossa idéia de civilização. É a era do aprendizado, da compaixão, da solidariedade, mas também da sabedoria, do não esquecimento, do enfrentamento e reconhecimento dos limites. Dos quais, aliás, já passamos.

07/06/2011

2011 ( Sol Di Liddo)

Pontos no finito e no infinito se aglomeram, ávidos e sedentos.
Milhares deles aos segundos...
Iniciando-se, partindo-se, consolidando-se...
Nasce o amor, destrói o ódio, separa a vaidade, aparta os ideais.
Incompreensivelmente.
Incansavelmente.
Ininterruptamente.
Ao invés de unir, agrava.
Sem mitigar nenhuma hora, sem trégua horroriza, avilta.
Sem ligar, compete, denuncia, amarga, entristece.
Vigiam-se num frenesi doentio, atemorizados.
Copiam-se num afã sem medidas, fascinados e compungidos.
Surpreendem-se com os nobres!
Espantam-se!
Estardalhaços em elogios!
O embate continua, viril, violento e venal.
Não há moderador que conduza a manada.
Intrépida em sua sede de poeira, faz carreira e anuncia em segundos sua nova arma, enfeitada de acentos, tils, reticências!
Irrompida!
Os sorrisos se escondem, ataviados e desalinhados, numa trança de medos e amores...
Num enredo de credos e de descrenças...
As lágrimas não lavam mais o rancor, elas criam sulcos de resignação.
A vaidade abomina a irmandade, prendendo-a pelas mãos atadas e subjugando-a como um carcereiro infame!
Os silêncios são traidores, delatam, sem dó!
Incessantemente.
Releio, deixando rastros de lágrimas e de suspiros ainda não exclamados.
Somente a paz é moderada, infelizmente...

04/06/2011

ENRIQUECIMENTO COMPARÁVEL ( Edmar Melo)

Em matéria de fortuna
Só acredita otário
Que alguém pode enricar
Vivendo só de salário
Mas já vi isso uma vez
E vou contar pra vocês
Um caso até temerário.

Esse caso aconteceu
Na Câmara dos Deputados
Um terreno de ninguém
Muito pouco vigiado
Onde o desonesto apronta
E você que paga a conta
Nem sabe que foi roubado.

Sem um motivo aparente
Um deputado enricou
E a inveja dos outros
De repente se aflorou
Uma CPI foi criada
Onde ficou constatada
A grana que ele “ganhou”.

Ex- deputado baiano
Homem de muito “talento”
Era o chefe da quadrilha
Dos anões do orçamento

Meu Maio ( Maiakovski)

A todos
Que saíram às ruas
De corpo-máquina cansado,
A todos
Que imploram feriado
Às costas que a terra extenua –
Primeiro de Maio!
Meu mundo, em primaveras,
Derrete a neve com sol gaio.
Sou operário –
Este é o meu maio!
Sou camponês – Este é o meu mês.
Sou ferro –
Eis o maio que eu quero!
Sou terra –
O maio é minha era!

A Injustiça Passeia Pelas Ruas Com Passos Largos (Bertold Brecht)

A injustiça passeia pelas ruas com passos seguros.
Os dominadores fazem planos para dez mil anos.
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são
Nenhuma voz se levanta além da dos que mandam
E em todos os mercados se proclama a exploração;
Isto é apenas o começo.
E entre os oprimidos muitos dizem:
Não se realizará jamais o que queremos!
O que ainda vive não diga: jamais!
O seguro não é seguro. Como está não ficará.
Quando os dominadores falarem
falarão também os dominados.
Quem se atreve a dizer: jamais?

De quem depende a continuação desse domínio?
De nós!
De quem depende a sua destruição?
Igualmente de nós.

Os caídos que se levantem!
Os que estão perdidos que lutem!
Quem reconhece a situação como pode calar-se?
Os vencidos de agora serão os vencedores de amanhã.
Os dominadores fazem planos para dez mil anos.
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são
Nenhuma voz se levanta além da dos que mandam
E em todos os mercados se proclama a exploração;
Isto é apenas o começo.
E entre os oprimidos muitos dizem:
Não se realizará jamais o que queremos!
O que ainda vive não diga: jamais!
O seguro não é seguro. Como está não ficará.
Quando os dominadores falarem
falarão também os dominados.
Quem se atreve a dizer: jamais?

De quem depende a continuação desse domínio?
De nós!
De quem depende a sua destruição?
Igualmente de nós.

Os caídos que se levantem!
Os que estão perdidos que lutem!
Quem reconhece a situação como pode calar-se?
Os vencidos de agora serão os vencedores de amanhã.

02/06/2011

SERENIDADE

A serenidade é um indicador da paz interna, e também da sabedoria.
Nós não queremos viver vidas frustadas e a aventura tem definitivamente um papel importante em uma vida bem-vivida, mas a serenidade é um indicador que uma pessoa tenha o pensamento levado a cabo em sua vida com disciplina e benevolência. 
A serenidade é também um indicador de que muitas outras coisas estejam trabalhando bem na vida de uma pessoa. 
Não tentar esgotar em demasiado, por exemplo. Têm que ter uma margem de reserva da energia. Reservar a hora  certa para os projetos da vida. Não se deve está muito apressando. 
Atividades doentias, desespero - estas não são parte de uma vida da serenidade ou sabedoria. 
A serenidade é o resultado de um bom pensamento bem-desenvolvido através da vida. 
A serenidade vem da aceitação, incluindo a aceitação de suas próprias falhas e das falhas de outros. 
Pode ser mais fácil aceitar a vida, incluindo nossas falhas, quando nós somos igualmente confortáveis sabendo que apesar daquelas falhas, nós somos valiosos ou importantes para nós e para outros. 

Características da serenidade:
Relutância em julgar com aspereza a sí próprio.
Relutância em julgar com aspereza o outro.
Ausência de conflito.
Um sentimento da conexão com o outro e sua própria natureza.

Guerra no campo e a urgência na Amazônia

Por Mauro Santayana, em seu blog:

Se os estados amazônicos são incapazes de impor a lei nos territórios de sua jurisdição, cabe ao governo federal neles intervir, como prevê a Constituição e aconselha a necessidade de que se salve a República.

O que está ocorrendo no Pará e em Rondônia é um desafio aberto à sociedade brasileira. Jagunços, a serviço dos grandes proprietários (o chamado agronegócio) e dos devastadores das matas para a exploração das madeiras nobres e o fabrico de carvão, estão matando, impunemente, pequenos lavradores e líderes extrativistas, que se opõem aos crimes cometidos contra a natureza e defendem suas pequenas posses contra os grileiros.


Não cabem eufemismos nem subterfúgios. A realidade demonstra que os mandantes contam com a cumplicidade explícita de algumas autoridades locais, não só do poder executivo como, também, do sistema judiciário. E, ao lado dos pistoleiros, atuam parcelas da polícia militar e civil da região.


Se houvesse dúvida dessa teia de interesses que protegem os criminosos, bastaria a manifestação de regozijo de parte dos parlamentares da bancada ruralista e de sua claque, quando, no plenário da Câmara, se ouviu a denúncia dos assassinatos mais recentes, feita pelo deputado Zequinha Sarney.


A repetição dos assassinatos no campo é, em si mesma, intolerável afronta à sociedade brasileira, em qualquer lugar que se dê. Mas, no caso da Amazônia, é muito mais grave, porque ali se acrescenta a questão da soberania nacional. A inação do Estado alimenta a campanha que, nos países europeus e nos Estados Unidos, se faz contra a nossa jurisdição histórica sobre a maior parcela da Hiléia, sob o argumento de que não temos condições de exercê-la e mantê-la.


Se não somos capazes de impedir o assassinato da floresta e de seus defensores, os que cobiçam as nossas riquezas se sentirão estimulados a intrometer- se em nossos assuntos internos, sob o estribilho que precedeu a invasão de muitos países, o da defesa dos direitos humanos.


Há décadas que vozes sensatas têm clamado para que a questão amazônica seja vista como a mais exigente prioridade nacional.


O Brasil é convocado a ocupar a Amazônia – ocupar, mesmo, embora sem destruí-la – criar sistema eficiente de defesa das fronteiras, proteger sua população civil e promover o desenvolvimento sustentado da área.


Trata-se de uma guerra que estamos perdendo, porque não a enfrentamos como é necessário. As nossas Forças Armadas, destacadas na região, lutam com todas as dificuldades. Faltam- lhes equipamentos adequados às operações na selva e nos rios; os contingentes não conseguem ocupar todos os pontos táticos e estratégicos da região e, em alguns casos, não há suprimentos para a manutenção das tropas.


Nos últimos vinte e cinco anos, de acordo com relatório da Comissão Pastoral da Terra, 1.581 ativistas foram assassinados na luta contra grileiros, agronegocistas e madeireiras – a imensa maioria na nova fronteira agrícola do Norte.


Não bastam as declarações do governo, nem a convocação de grupos de estudos. O bom-senso indica que o governo federal terá que convocar as três forças nacionais a fim de ocupar a Amazônia, identificar e prender os criminosos e mandantes.


É crucial criar sistema de controle da exploração madeireira e de outras riquezas, o que hoje é fácil, graças ao GPS, ao monitoramento de caminhões por satélite e outros instrumentos eletrônicos.


Há centenas de brasileiros, ameaçados de morte, porque estão fazendo o que não fazem as autoridades locais: defendem a natureza e a soberania do Brasil sobre os seus bens naturais e a vida dos indígenas e dos caboclos, reais desbravadores da região.


Para que não sejamos obrigados a uma guerra externa, contra prováveis invasores estrangeiros – que aqui virão em busca dos recursos naturais que lhes faltam – temos que travar e vencer a guerra interna contra os bandidos, pistoleiros e os que lhes pagam.