Sob o meu olhar

Aqui neste blog, vocês poderão ver, ler e comentar a respeito do que escreverei. Por meio deste meu olhar sincero, tentarei colocar artigos e dar minha opinião sobre questões atuais como politica, problemas sociais, educação, meio ambiente, temas que tem agitado o mundo como um todo. Também escreverei poesias e colocarei poemas de grande poetas que me afloram a sensibilidade, colocarei citações e frases pequenas para momentos de reflexão.
É desta forma que vou expor a vocês o meu olhar voltado para o mundo.

19/01/2013

La literatura clásica fomenta la actividad cerebral

Que leer es un hábito saludable es algo que nadie pondría en duda. Es posible intuir que dicha actividad trae múltiples beneficios a quien la practica: lo difícil es cuantificar o especificar, en concreto, cuáles son dichos beneficios, o explicar cómo se consiguen.
La literatura clásica estimula la actividad cerebral
Un estudio de la Universidad de Liverpool afirma que leer literatura clásica incrementa la actividad del cerebro. ¿Por qué la estimulación cerebral la logran con mayor éxito los escritores clásicos, y no los autores actuales? Para los expertos, la clave está en las expresiones que revelan un esquema semántico complejo.

La investigación de los científicos británicos consistió en evaluar la actividad del cerebro de treinta voluntarios mientras leían. En una primera etapa, las personas tuvieron que leer textos que son clásicos de la literatura mundial, mientras que luego leyeron los mismos contenidos, pero adaptados al habla coloquial de la actualidad.

De acuerdo al monitoreo de los científicos, la actividad del cerebro se incrementa cuando la persona halla, en el texto, expresiones que no le resultan habituales. El estímulo persiste un tiempo, lo que consigue potenciar la atención del sujeto, de acuerdo a las conclusiones de la Universidad de Liverpool que recoge ABC.

Gracias a este trabajo, los investigadores concluyeron además que la poesía aporta más beneficios al lector que las obras de autoayuda. Esta realidad obedece a que los poemas estimulan el lado derecho del cerebro, es decir, el hemisferio que aloja los recuerdos. La poesía, por lo tanto, hace que el individuo reflexione sobre sus vivencias y las analice desde una nueva óptica.

William Shakespeare, Philip Larkin, John Donne, T.S. Eliot, Elizabeth Barrett Browning, Henry Vaughan y William Wordsworth son algunos de los escritores que, según la investigación, promueven la actividad cerebral, reproduce LaInformacion.com.

La ciencia ha hablado: leer un buen libro no sólo aporta entretenimiento y momentos placenteros, sino que también mejora nuestras habilidades cognitivas. No hacen falta más argumentos para justificar una visita a la biblioteca más cercana.

13/01/2013

A terrível verdade sobre o estupro em Nova Délhi.


Morei 24 anos em Nova Délhi, uma cidade onde o assédio sexual é tão regular quanto o café da manhã. Todos os dias, em algum lugar da cidade, há um caso de estupro.

Quando adolescente, aprendi a me proteger. Nunca ficava sozinha, se possível, e andava depressa, cruzando os braços sobre o peito, recusando todo contato visual ou mesmo um sorriso. Abria caminho no meio da multidão curvando os ombros para frente, e evitava sair de casa depois do escurecer, se não fosse num carro particular. Numa idade em que as jovens em todos os outros lugares começam a fazer suas primeiras experiências com um estilo mais ousado de vestuário, eu usava roupas duas vezes maiores do que o meu tamanho. Ainda não consigo me vestir de forma a parecer atraente sem ter a sensação de estar me expondo ao perigo.

A situação não mudou quando cheguei à idade adulta. O spray de pimenta não existia ainda e minhas amigas, todas de classe média ou média alta como eu, carregavam alfinetes ou outros objetos como armas no caminho da universidade e do emprego. Uma delas andava com uma faca e insistia que eu devia fazer o mesmo.

Recusei, mas havia dias em que ficava tão enraivecida que poderia usá-la - ou, pior ainda, alguém poderia usá-la contra mim.

O persistente concerto de assobios, miados, palavras sibiladas, alusões sexuais ou ameaças abertas continuaram. Grupos de homens andavam pelas ruas vadiando, e sua forma de comunicação eram as canções de filmes indianos que viviam cantando, repletas de duplos sentidos.

Para deixar claras suas intenções, mexiam a pélvis para frente quando uma mulher passava.

Não eram apenas os ambientes públicos que eram pouco seguros. Até na redação de uma importante revista onde eu trabalhava, no consultório de um médico, até mesmo numa festa privada - era impossível escapar da intimidação.

No dia 16 de dezembro, como o mundo agora sabe, uma mulher de 23 anos voltava para casa com o namorado depois de assistir ao filme As aventuras de Pi num shopping center de Délhi. Quando tomaram o que lhes pareceu um ônibus, os seis homens que estavam no veículo estupraram e torturaram a mulher de maneira tão brutal que destruíram seus intestinos. O ônibus fora apenas um chamariz. Eles espancaram brutalmente também o namorado da jovem e jogaram os dois fora do veículo, deixando-a à beira da morte.

A jovem não se rendeu. Ela começara aquela noite vendo um filme sobre um sobrevivente, e provavelmente sentiu-se determinada a sobreviver também. Então ela realizou outro milagre. Em Délhi, uma cidade onde a degradação das mulheres é comum, dezenas de milhares de pessoas foram às ruas e enfrentaram a polícia, as bombas de gás lacrimogêneo e os canhões de água para expressar sua revolta. Foi o maior protesto jamais realizado na Índia contra a agressão sexual e o estupro até aquele momento, e desencadeou manifestações em toda a nação.

A fim de proteger a identidade da vítima, seu nome não foi divulgado.

Mas embora ela continue sem nome, não ficou sem rosto. Para vê-lo, bastou que as mulheres se olhassem no espelho. A plena dimensão da sua vulnerabilidade finalmente foi compreendida.

Quando fiz 26 anos, mudei-me para Mumbai. A megalópole comercial e financeira tem sua carga de problemas específicos, mas, em termos culturais, é mais cosmopolita e liberal do que Délhi. Ainda zonza com a liberdade recém-conquistada, comecei a fazer matérias sobre o bairro da prostituição e percorria subúrbios perigosos tarde da noite - sozinha e usando transporte público. Acho que a minha experiência em Délhi teve um resultado positivo: fiquei agradecida pelo ambiente comparativamente seguro de Mumbai e resolvi aproveitar ao máximo.

Mas a jovem jamais terá esta oportunidade. Na manhã de sábado, 13 dias depois de ter sido brutalizada, esta estudante de fisioterapia, que sem dúvida sonhara em melhorar a vida das outras pessoas, perdeu a sua. Morreu por falência múltipla dos órgãos.

A Índia tem uma legislação contra o estupro; assentos reservados para as mulheres nos ônibus, policiais femininas; linhas especiais para pedir a ajuda da polícia. Mas estas medidas não têm tido eficiência diante de uma cultura patriarcal e misógina. Trata-se de uma cultura que acredita que o pior aspecto do estupro é a corrupção da vítima, que nunca mais poderá encontrar um homem para casar com ela - e que a solução é casar com o estuprador.

Estas crenças não se restringem às salas de estar, mas são expressas abertamente. Nos meses anteriores ao estupro coletivo, alguns políticos de destaque atribuíram o aumento das estatísticas sobre estupro à crescente utilização dos celulares pelas mulheres e ao fato de elas saírem à noite. "Somente porque a Índia conseguiu a liberdade depois da meia-noite não significa que as mulheres possam se aventurar a sair depois do anoitecer", disse Botsa Satyanarayana, líder do Partido do Congresso do Estado de Andhra Pradesh.

Denúncias. Mudar é possível, mas as pessoas devem denunciar logo os casos de estupro e de agressão sexual para que a polícia possa realizar as investigações, e os casos levados aos tribunais possam tramitar rapidamente e não demorar anos a fio. Dos mais de 600 casos de estupro relatados em Nova Délhi em 2012, somente um levou à condenação. Se as vítimas acreditam que receberão justiça, se mostrarão mais dispostas a falar. Se os supostos estupradores temerem as consequências de suas ações, não atacarão as mulheres nas ruas impunemente.

As dimensões dos protestos públicos e na mídia deixaram claro que o ataque constituiu um divisor de águas. A horrível verdade é que a jovem atacada no dia 16 teve mais sorte do que muitas vítimas de estupro. Ela foi uma das raras mulheres que receberam algo parecido com justiça. Foi hospitalizada, sua declaração foi gravada e em poucos dias todos os seis suspeitos do estupro foram presos e, agora, estão sendo processados por assassinato. Tal eficiência é algo incomum na Índia.

Não foi a brutalidade das agressões contra a jovem que tornou sua tragédia inusitada; foi o fato de que esta agressão, finalmente, provocou uma resposta.

SONIA FALEIRO
7 DE JANEIRO DE 2013

A grande virada da resistência palestina

 Baby Siqueira Abrão - Carta Maior

A resistência palestina acaba de entrar em nova fase. Com a fundação da vila de Bab Al Shams, em 11 de janeiro, ela mostra que a partir de agora vai criar fatos consumados para retomar, na prática, aquilo que é seu por direito

Logo depois que a maioria dos países presentes à Assembleia Geral da ONU de 29 de novembro de 2012 reconheceram o Estado da Palestina nos limites anteriores à ocupação militar israelense de 1967, com Jerusalém oriental como capital, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyhau, decidiu desafiar a decisão. Em represália às Nações Unidas, anunciou a construção de três mil unidades habitacionais para colonos judeus, duas mil delas, além de centro comercial e educacional, em al-Tur, área próxima a Jerusalém oriental que Israel denomina E1.

Al-Tur fica no Estado da Palestina. E é importantíssima do ponto de vista geoestratégico. Construir ali uma extensão da colônia judaica de Ma’ale Adumin – ela também erigida ilegalmente em território palestino –, como quer o governo israelense, significaria dividir a Cisjordânia em duas partes.

A Palestina ficaria, então, com três blocos geograficamente separados: Cisjordânia do norte, Cisjordânia do sul e Gaza. Todas elas sem nenhum tipo de comunicação umas com as outras. E sem acesso a Jerusalém.

O impacto na população palestina, lembra o Alternative Information Center (AIC), organização fundada e dirigida por pesquisadores palestinos e israelenses que apoiam a causa palestina, seria “desastroso”. As comunidades ficariam isoladas, o crescimento natural seria impedido e, como consequência, os moradores começariam a deixar as áreas vizinhas a Al-Tur. O caminho estaria aberto para o governo de Israel anexar mais terras a seu território.

Além disso, cerca de 2,3 mil beduínos que vivem em pequenas comunidades entre Ma’ale Adumin (localizada na Cisjordânia) e Jerusalém seriam expulsos. A maioria deles, diz o AIC, é composta de refugiados forçados a deixar o deserto de Naqab (em hebraico, Negev), ao sul da Palestina, quando os sionistas tomaram a região à força para fundar Israel.

Mais: aproximadamente 50 mil palestinos das cidades de Anata, Abu Dis e Azaria ficariam praticamente isolados do resto do mundo, espremidos entre a colônia judaica planejada em al-Tur do lado leste e o Muro do Confisco e do Apartheid a oeste. A única comunicação com seu próprio país seria feita por uma estrada que corta Belém e Ramala.

Hora de mudar as regras do jogo
Pois foi exatamente nessa área sensível, fundamental para a contiguidade do Estado da Palestina, que mais de 250 mulheres e homens, sob o intenso frio do fim de madrugada de 11 de janeiro, fundaram Bab Al Shams (Porta do Sol), a mais nova vila palestina.

Ali, no platô pedregoso de al-Tur, eles montaram, com a ajuda de ativistas de várias partes do mundo, dezenas de barracas retangulares de tecido emborrachado branco e creme, estruturadas com vigas de ferro. Uma delas abriga uma clínica médica. Outra anuncia, com letras enormes, em árabe e em inglês: “Bab Al Sham Village”.

A construção da vila é uma iniciativa única e marca uma nova fase da resistência. Os palestinos, segundo a declaração distribuída durante a fundação da vila, não estão mais dispostos a esperar que o confisco de seu país se consume. A união entre comitês populares, movimentos de jovens, organizações da sociedade civil e os verdadeiros donos daquela área, fortalecidos pela decisão da ONU de reconhecer a Palestina como Estado, efetuaram a ação não violenta mais importante e decisiva dos mais de 100 anos de resistência ao sionismo – o movimento político que tomou para si, na base do terrorismo e da força, a maior parte da Palestina. Mas o real objetivo, como Ben-Gurion deixou claro em carta escrita a seu filho, e como os sionistas jamais esconderam – o projeto faz parte do programa do Likud, o partido do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, e de outros partidos de Israel –, é tomar a Palestina inteira.

Até hoje de manhã, os palestinos vinham assistindo, impotentes, o governo de Israel levar adiante esse plano, roubando suas terras, destruindo suas casas e seus meios de vida. A construção de Bab Al Shams é o ponto de virada dessa história. Nem mesmo os helicópteros que passaram a sobrevoar a nova vila assim que a notícia chegou aos ouvidos do governo sionista, nem os numerosos soldados que cercaram o local podem mudar isso.

Os palestinos desistiram de esperar que seu direito à autodeterminação lhes seja concedido. Decidiram conquistá-lo por conta própria. Apropriaram-se, na prática, do que sempre foi seu. Mostraram, ao retomar suas terras, a disposição de lutar por elas centímetro por centímetro. Colocaram os sionistas contra o muro que eles mesmo construíram.

Em Bab Al Shams, em meio à montagem das tendas, Abdallah Abu-Rahmah, líder do Comitê Popular de Bil’in, declarava aos repórteres, fazendo eco ao conteúdo da declaração de Bab Al Shams, que “Israel impôs fatos consumados durante décadas, diante do silêncio da comunidade internacional. Agora é hora de mudar as regras do jogo. Somos os donos desta terra e imporemos a nossa realidade”.

Na Itália, Luisa Morgantini, ex-membro do Parlamento Europeu, aplaudiu a iniciativa, lamentando apenas não estar em Bab Al Sham. Em alguma parte do mundo, os hackerativistas do grupo Anonymous aprovaram a ação direta da resistência palestina: “Este assentamento é nosso”, declararam eles no Twitter. “E vai permanecer de pé até que os outros [as colônias ilegais construídas por Israel] tenham ido embora.”

Em Ramallah, a Dra. Hanan Ashrawi, membro da Comissão Executiva da OLP, parabenizou os organizadores e deu total apoio à ação: “Estimulamos a resistência popular não violenta contra a ocupação israelense em todo o Estado da Palestina”, disse ela, lembrando as privações que os palestinos enfrentam para viver em seu próprio país. “A iniciativa é uma ferramenta criativa e legítima para proteger a Palestina dos planos coloniais de Israel. Temos o direito de viver em qualquer parte de nosso Estado. Conclamamos a comunidade internacional a apoiar ações como essa e a dar proteção àqueles que são ameaçados pelas forças ocupantes por exercerem seu direito de resistir pacificamente à ocupação ilegal de Israel.”

A reação do governo israelense
Desafiado por uma ação baseada em seus próprios métodos – criar fatos consumados para tomar terras palestinas –, o governo israelense despachou soldados para instalar postos de controle (checkpoints) nos acessos à nova vila e para cercá-la, além de emitir uma ordem de “evacuação”, exigindo que os moradores deixassem a área. Nenhum deles fez um único movimento no sentido de sair dali, até porque naquele mesmo momento a Suprema Corte de Israel decidia favoravelmente a um recurso interposto pela resistência. Durante seis dias, declarou o tribunal, Bab Al Shams permanece onde está.

À medida que a noite descia, em torno de fogueiras, aquecidos por cobertores e pelo chá, a tradicional bebida palestina, os moradores receberam a boa notícia de que a instalação elétrica da vila estava pronta. Luzes foram acesas nas tendas, e notebooks, já sem bateria, ligados.

Aconchegados uns nos outros, palestinas, palestinos e ativistas estrangeiros preparavam-se para a primeira noite da nova vila. A primeira noite de um dia muito especial, marco da virada de um povo até então imobilizado por circunstâncias externas.

Em 11 de janeiro os palestinos decidiram fazer as próprias circunstâncias. A nova fase da luta contra o ocupação prosseguirá, como afirma a histórica Declaração de Bab Al Shams, cuja tradução vem a seguir.

Declaração de Bab Al Shams
Nós, filhas e filhos da Palestina, de todas as partes do país, anunciamos o estabelecimento da vila de Bab Al Shams. Nós, o povo, sem permissão da ocupação, sem permissão de ninguém, estamos aqui hoje porque este é nosso país e habitá-lo é um direito nosso.

Poucos meses atrás o governo israelense anunciou sua intenção de construir cerca de 4 mil unidades habitacionais na área que denomina E1.

Trata-se de uma área de 13 km2 que fica no território palestino confiscado de Jerusalém oriental, entre a colônia de Ma’ale Adumin, construída na Cisjordânia ocupada, e Jerusalém. Não permaneceremos calados enquanto a expansão das colônias e o confisco de nosso país continua. Portanto, pela presente declaração, estabelecemos a vila de Bab Al Shams para proclamar nossa crença na ação direta e na resistência popular.

Declaramos que a vila permanecerá em pé até que os donos destas terras tenham o direito de construir nelas.

O nome da vila foi retirado da novela Bab Alshams, do escritor libanês Elias Khoury. O livro descreve a história da Palestina por meio do amor entre um palestino, Younis, e sua esposa Nahila. Younis deixa a esposa para unir-se à resistência no Líbano enquanto Nahila permanece firme no que restou da vila de ambos, na Galileia. Durante os anos 1950 e 1960 Younis sai às escondidas do Líbano e volta à Galileia para encontrar a esposa na caverna de Bab Al Shams, onde ela dá à luz os três filhos do casal. Younis retorna à resistência e Nahila fica na caverna.

Bab Al Shams é a porta para nossa liberdade, é nossa firmeza. Bab Al Shams é nossa porta para Jerusalém. Bab Al Shams é a porta para o nosso retorno.

Durante décadas Israel tem criado fatos consumados enquanto a comunidade internacional permanece calada em resposta a essas violações. Chegou a hora de mudar as regras do jogo, de estabelecermos fatos consumados em nosso país. Esta ação, envolvendo mulheres e homens de norte a sul [da Palestina] é uma forma de resistência popular.

Nos próximos dias criaremos vários grupos de discussão, faremos apresentações educacionais e artísticas, passaremos filmes nesta vila. Os moradores de Bab Al Shams convidam todas as filhas e todos os filhos de nosso povo para participar e juntar-se à vila, a fim de dar apoio a nossa resistência.

Usar celular e matar no trânsito é crime doloso

10/01/2013
Um motorista que atropela e mata alguém enquanto dirige falando ao celular pratica homicídio doloso, ou seja, com intenção. Essa, ao menos, foi a interpretação do Tribunal Federal Regional (TRF) da 1ª Região ao julgar recurso de um condutor condenado em primeira instância no Pará. Ao recorrer, ele tentava reverter decisão do juiz da 4. 11 Vara Criminal da Seção Judiciária do Estado, buscando classificar o crime como culposo, quando não há intenção de matar, com penas mais brandas.

Mas, para o juiz-relator Fernando Tourinho Neto, do TRF, quem guia falando ao telefone "demonstra o risco assumido de produzir o resultado" da morte da vítima. Segundo argumentou em seu parecer, em ocorrências de trânsito há "situações em que o dolo, ao menos eventual, se apresenta". Todos os desembargadores da 3ª Turma do TRF seguiram seu voto, proferido em outubro. Agora, o processo deve seguir para apreciação do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O caso ocorreu em uma noite de outubro de 2006 em uma estrada da cidade paraense de Ananindeua. O Corsa dirigido pelo administrador Márcio Scaff atingiu e matou a policial rodoviária federal Vanessa Siffert, que estava em serviço perto de um posto da Polícia Rodoviária Federal.

De acordo com o processo, Scaff alegou que obedecia ao limite de velocidade do trecho 60 km/h. Além disso, argumentou que "houve falha na sinalização da via, bem como negligência da policial", que não usava um colete sinalizador.

No veículo, foi encontrada uma porção de maconha. Apesar disso, o condutor se recusou a fazer exame toxicológico após o atropelamento, o que também poderia atestar se ele estava embriagado, o que ele nega.
Jurisprudência. Maurício Januzzi, presidente da seccional paulista da Comissão de Trânsito da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), explica que atualmente a jurisprudência brasileira entende esse tipo de crime como homicídio culposo. "Se o STJ mantiver essa decisão (do TRF), aí eu entenderei que será um avanço para o País."

O processo revela que Scaff admitiu estar falando ao telefone celular e teria se distraído por causa disso. 

Contudo, o réu afirmou ter tentado desviar e evitar o atropelamento. "Se vinha falando ao telefone, distraído como disse, como poderia tentar desviar ou frear?", questionou Tourinho Neto em seu voto.

A pena para homicídio culposo de trânsito é de 2 a 4 anos de prisão e para o doloso, de 6 a 20 anos.

Desvio de atenção. Para Dirceu Rodrigues Alves Júnior, chefe do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), dirigir falando ao celular já deveria constituir uma penalidade mais severa do que é hoje: infração de trânsito média, que rende R$ 85,13 e quatro pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

"Existem três funções importantes para conduzir o veículo: a cognitiva, a motora e a sensorial. Quando você tem o comprometimento de uma delas está impedido de dirigir. E o celular faz isso."

Ele explica que nem mesmo na função viva-voz ou com fones de ouvido o aparelho deve ser utilizado por motoristas, pois ainda assim distrai o condutor, que acaba prestando mais atenção à conversa.

Quando se está na direção e o telefone toca, não deve ser atendido. É a dica do professor de Engenharia de Tráfego Creso de Franco Peixoto, da Fundação Educacional Inaciana. "Ligue depois. O número fica gravado."

Se a pena mais severa para motoristas que causam acidente por falar ao telefone ainda passa pela formação de uma jurisprudência, a punição mais rígida para a embriaguez ao volante é uma realidade desde o mês passado no País, quando a lei seca se tornou mais dura. A multa subiu para R$ 1.915,10. Além disso, em caso de processo criminal, o motorista poderá ser indiciado por meio de uso de vídeos e fotos, além do testemunho de policiais. Antes, só com uso do bafômetro ou exame de sangue.
Autor: jornal Estado de S. Paulo

12/01/2013

Chávez, “consciente y comunicativo”

Página/12

El presidente de Venezuela, Hugo Chávez, está “consciente y comunicativo”, dijo ayer el ministro de Información, Ernesto Villegas. A un mes de la cuarta operación de Chávez, el vicepresidente, Nicolás Maduro, viajó a Cuba para ver al mandatario.

En declaraciones a Unión Radio de España, Villegas precisó que Chávez hace “gala de una gran fuerza y un gran talante espiritual” y advirtió que los que esperan su muerte “se van a quedar con las ganas”. “Mantiene todas sus competencias como jefe de Estado del país”, añadió. Reveló que el presidente está consciente de la situación en que está y se mantiene en comunicación con su equipo de gobierno y familiares que están en La Habana. El funcionario aludió también a la opositora Mesa de Unidad Democrática (MUD), que ratificó el jueves su rechazo al fallo del Tribunal Supremo de Justicia (TSJ) de considerar innecesario el acto de asunción presidencial de Hugo Chávez y prolongar el mandato del actual gobierno, y convocó a una marcha pacífica para el 23 de enero. “Aquí están buscando el modo de conseguir por otros lados lo que no han conseguido con votos”, analizó Villegas. Aunque no dio un nuevo parte médico sobre el estado del presidente, el ministro aseveró que el gobierno informó con rigurosidad en más de 27 ocasiones sobre la evolución de la salud del presidente. Asimismo, aprovechó para mencionar que el jefe de Estado venezolano, durante su convalecencia en La Habana, demostró el talante espiritual que ha tenido en todas estas circunstancias adversas que le permitieron resurgir “cuando pocos apuestan a su futuro”. “El presidente es el presidente, no hay ningún otro”, aclaró.

Luego de esto, Maduro, quien desarrolló durante los últimos días una nutrida actividad de gestión de gobierno, viajó a La Habana, Cuba, a fin de volver a visitar al jefe de Estado venezolano. “Ahora me toca salir para La Habana para visitar nuevamente al presidente e informarlo de cómo hemos mantenido el ritmo el equipo político: Diosdado Cabello (presidente de la Asamblea Nacional), Cilia Flores (procuradora de la República), Jorge Arreaza (ministro de Ciencia y Tecnología) y Adam Chávez (gobernador reelecto de Barinas)”, expresó. Durante una reunión del Organo Superior de la Vivienda, el vicepresidente informó que la visita tiene como propósito conversar con el equipo médico y con el presidente Chávez, a quien le entregará “las buenas nuevas de un pueblo trabajando, haciendo revolución con coraje, disciplina y entusiasmo”. Asimismo, Maduro anunció que el ministro de Energía Eléctrica, Héctor Navarro, ejercerá funciones como vicepresidente encargado.

Chávez cumplió ayer un mes desde que se sometió en Cuba a su cuarta operación para tratarse del cáncer que le fue detectado por primera vez en junio de 2011. El gobernante venía de ganar la reelección en los comicios del 7 de octubre pero no pudo asistir a la ceremonia de juramentación que debía realizarse el jueves por su estado de salud. Pese a ello, Maduro aseguró que el presidente “está trabajando y en cuenta” de todos los planes del gobierno, por lo que aseguró que pese a su ausencia física el líder bolivariano cumple “un papel sumamente importante” en el país. Las declaraciones de Maduro se realizaron luego de que el oficialismo realizara el jueves una gran concentración en respaldo al gobierno de Chávez, cuya continuidad fue avalada esta semana por una sentencia del TSJ pese a que el mandatario no ha aparecido en público desde su partida a Cuba. La movilización contó con invitados como los presidentes de Bolivia, Evo Morales; de Nicaragua, Daniel Ortega, y de Uruguay, José Mujica. Además de una delegación de islas caribeñas.

El viaje del vicepresidente a La Habana coincidió con la visita a la isla de la presidenta argentina, Cristina Fernández de Kirchner, y del mandatario de Perú, Ollanta Humala. El presidente del Perú arribó a Cuba en medio de críticas por parte de la oposición, que consideró inoportuno el viaje. Según la agenda oficial difundida por el gobierno, Humala promoverá en Cuba una ampliación del Acuerdo de Complementación Económica con ese país y los convenios de cooperación técnica y de reconocimiento de títulos de educación superior. Asimismo, revisará el Tratado de Asistencia Judicial en Materia Penal entre Perú y Cuba, y realizará coordinaciones referidas a la Unión de Naciones Sudamericanas (Unasur) y de la Comunidad de Estados Latinoamericanos y del Caribe (Celac). Recibido por el viceministro cubano de Relaciones Exteriores, Rogelio Sierra, el presidente peruano dio declaraciones a los periodistas en el aeropuerto internacional José Martí. “Obviamente también preguntaré, veré cómo está la situación (de salud) del presidente Chávez, a quien todos le deseamos una pronta mejoría”, indicó.

Ex-militante do PCB revela tortura fora do período da ditadura militar à CNV

Por Redação, com ABr - de Brasília 

Em depoimento prestado à Comissão Nacional da Verdade (CNV) em novembro de 2012, mas somente revelado nesta sexta-feira, o empresário Boris Tabacof levou 60 anos para revelar as agressões pelas quais passou ao ser preso, por motivos políticos, em 1952, em plena Era Vargas. Tabacof revelou à Comissão:

– Me obrigaram a tirar a roupa e a ficar nu durante vários dias e a única coisa que tinha nesse cubículo era um balde para as necessidades e esse balde não era retirado. Então, tinha que dormir no chão e, de vez em quando, chegava um soldado e jogava água – descreveu.

No primeiro depoimento à CNV de uma vítima de violação de direitos humanos fora do período da ditadura militar (1964-1985), Tabacof foi vítima da intolerância política do regime.

– O único que falou que está dentro do período da comissão (de 1946 a 1988), mas que não foi torturado na ditadura, foi no governo Getúlio Vargas (de 1951 a 1954) – ressaltou a psicanalista Maria Rita Kehl, um dos membros da comissão presentes ao depoimento de Tabacof.

Aos 84 anos, atualmente, Tabacof era à época membro do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e dava suporte a militantes que atuavam dentro das Forças Armadas.

– Fui secretário de organização do Comitê do PCB na Bahia, o segundo cargo do partido no Estado. É aí que entra como eu tenho a ver com todo esse movimento, que foi um movimento dentro da esfera militar. Eu só tinha contato com uma pessoa, um cabo do Exército cujo nome de guerra era Plínio – explica o empresário que fornecia material ideológico para os militares comunistas.

Em 20 de outubro de 1952, Tabacof foi preso dentro de um ônibus.

– Foram bofetadas de todo jeito e me arrancaram do ônibus, me colocaram em uma caminhonete e essa caminhonete foi direto para o Forte do Barbalho (em Salvador) – relembra.

No local, começou o período de 400 dias de prisão ao qual foi submetido. Segundo o empresário, as grades das celas do forte eram cobertas com tábuas, “para ninguém ver o que estava acontecendo”.

Além de Tabacof, foram presos na operação para desarticular a presença comunista nas Forças Armadas mais um civil e 28 militares. De acordo com o empresário, os agentes do governo de Getúlio queriam provar que havia um complô comunista simpático à União Soviética para assumir o poder no Brasil.

– Como eu não estava contando nada que eles queriam, nem queria assinar, eles foram piorando as coisas.

Eu fiquei alguns dias de pé com um soldado, de baioneta calada, ao meu lado que não deixava que eu me sentasse – lembra sobre o período de cárcere que também incluiu 50 dias de isolamento em uma penitenciária em Sergipe.

Ao final, o empresário acabou assinando uma confissão, junto com os demais presos. Ele respondeu a processo até julho de 1954, quando foi solto após o julgamento. O trauma impediu que Tabacof revelasse sua história até mesmo para a família, que só recentemente soube desses eventos.

– Até a família não sabia, era uma coisa de humilhação que ele não conseguia contar – ressalta Maria Rita Kehl.

Militância política

Filho de imigrantes judeus russos, Boris Tabacof nasceu em 28 de julho de 1929, na Bahia. Sua juventude foi marcada pela militância política no Partido Comunista do Brasil (PCB). Em meados dos anos 1950, Tabacof formou-se em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da Universidade da Bahia. Iniciou então sua carreira empresarial, logrando rápido sucesso no ramo da construção. Participou de governos e hoje, Boris Tabacof segue atuando como presidente do Conselho de Administração da Suzano Papel e Celulose.

Canal iraniano de TV diz que Shimon Peres admite participação de Israel na morte de Yasser Arafat

 Por Redação, com agências internacionais - de Teerã

Presidente de Israel, Shimon Peres teria admitido, nesta sexta-feira, pela primeira vez, a participação do regime israelense na morte do líder da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Yaser Arafat. Peres, no entanto, lamentou o fato e disse que o Estado judeu não deveria tê-lo eliminado, “pois com ele se podia conversar”, segundo reportagem publicada no canal HispanTV, transmitido pela rede de televisão pública Islamic Republic of Iran Broadcasting (IRIB, na sigla em inglês), do Irã.

De acordo com o texto divulgado, Peres acredita que “a morte de Arafat tenha gerado uma situação ainda mais difícil e complexa na região”. Arafat morreu em 11 de novembro de 2004, na França, após várias semanas de tratamento médico. Desde então, as autoridades francesas se negaram a revelar a causa exata da morte do líder da ANP, amparadas em leis de privacidade à pessoa, “embora existissem, desde então, notícias de que o serviço de inteligência de Israel (Mosad, na sigla em hebraico) o havia envenenado com talio, um elemento radioativo”, diz a matéria da HispanTV.

Em final de novembro do ano passado, um grupo de especialistas franceses e suíços exumou o corpo de Yasser Arafat, em Ramalah, na Cisjordânia, para esclarecer se ele morreu, realmente, por envenenamento.

Os resultados, segundo a HispanTV, “revelaram a implicação das autoridades do regime israelense no assassinato do líder palestino, posto que as mostras assinalam o envenenamento como a causa da morte”.

Ainda de acordo com o canal distribuído na Venezuela, Espanha, Argentina e Cuba, entre outros países do mundo, “há documentos que provam a determinação do ex-primeiro ministro de Israel Ariel Sharon em ordenar o assassinato de Arafat, durante uma conversa com seu ex-ministro para assuntos militares, Shaul Mofaz”.

Nenhuma autoridade israelense procurada pelo Correio do Brasil estava disponível, imediatamente, para responder sobre a veracidade das declarações veiculadas pela HispanTV.

Índios denunciam despejo de veneno próximo a aldeia Xavante

Por Redação, com Brasil de Fato 

Índios xavante de uma aldeia no Norte do país vêm sofrendo uma série de ataques por parte de fazendeiros que querem ampliar suas terras. O último deles significa uma tentativa de envenenamento em massa dos xavantes que vivem na região.

– Foi um ataque visível para nós, eu vi um pequeno avião jogando veneno aproximadamente às 8 horas da manhã do dia 26, bem próximo a aldeia, eu mesmo estou com problemas de vista e dores de cabeça após o despejo – afirma o padre católico Aquilino Xavante.

Ele relata que não é o primeiro caso de despejo de veneno e que já ocorreram mortes nos Xavante em função de pulverização em locais próximos a aldeia. A fazenda ao lado da terra é constituída de plantação de soja e fica a menos de 10 km da Terra Indígena Marãwaitsédé. Cosme Xavante, um dos líderes de Marãwaitsédé, afirma que o avião passou rapidamente por cima da aldeia.

– Nós temos uma lavoura na divisa com a fazenda. Eles passaram jogando veneno na semana passada também, sempre teve pulverização, mas nunca tão perto, nossa saúde está prejudicada – denuncia.

O líder indígena afirma que a Funai compareceu à aldeia e que o órgão alegou encaminhar o caso para investigação pelo Ibama. Em entrevista ao Cimi, o órgão indigenista afirmou que não há nenhuma comprovação por intoxicação ou despejo de agrotóxicos, mas que estão apurando a denúncia.

A operação de desintrusão da TI está em andamento e, segundo informe da Funai, “quem não sair terá os bens confiscados pela Justiça e deverá responder pelo crime de desobediência”. Os invasores tentam intimidar os indígenas após o mandado de desintrusão dos ocupantes ilegais pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no dia 18 de outubro, pelo então presidente do STF, o ministro Carlos Ayres Britto.

De lá para cá, intimidações e ataques pelos fazendeiros têm sido constantes. No dia 3 de novembro de 2012, um indígena foi perseguido na cidade de Água Boa por dois carros com pessoas que reconheceu serem do núcleo da invasão do território indígena Marãiwatsédé e capotou o veículo, sofrendo algumas escoriações.

Outro caso de intimidação que teve repercussão foi contra o bispo emérito de São Félix do Araguaia, Dom Pedro Casaldáliga, que se afastou no início de dezembro de 2012 de São Félix. O bispo foi acusado de ter sido responsável pela decisão do STF. Ameaças haviam se tornado cada vez mais insistentes e perigosas:

– O bispo não verá o fim de semana.

Invasão

A aldeia de Marãwaitsédé está localizada nos municípios de Alta Boa Vista e São Félix do Araguaia, Estado do Mato Grosso, e começou a ser invadida durante a década de 1950, sendo adquirida na década seguinte irregularmente pela agropecuária Suiá-Missu. Os indígenas acabaram sofrendo migração forçada para a Missão Salesiana de São Marcos, 400 km longe de Marãiwatsédé, onde houve epidemia de sarampo. 

Cerca de 150 indígenas morreram e, em 1980, a terra foi vendida para a empresa petrolífera italiana Agip.

Durante a Conferência de Meio Ambiente realizada no início de 1990 no Rio de Janeiro, a Eco 92, a Agip anunciou, sob pressão, que devolveria Marãiwatséde aos Xavante. Dos 165 mil hectares homologados e registrados pela União, apenas 20 mil estão ocupados pelos indígenas. A terra foi homologada pelo Executivo em 1998 e mesmo com o reconhecimento, os indígenas sofrem grandes pressões de latifundiários e do poder político local para que Marãiwatsédé permaneça nas mãos dos fazendeiros.

Os partidários do câncer já estão derrotados

Paulo Vinicius Silva - Portal CTB

A sucessão de casos de Presidentes progressistas latino-americanos que tem padecido de câncer tem colocado grandes dilemas políticos para os povos da nossa região. E também tem ensinado aos povos duas importantes lições. A primeira é a da necessidade de levar adiante os processos de mudança para além da efemeridade de nossas vidas enquanto indivíduos, um desafio imenso em todos os projetos de mudança. Sempre. A vida é um sopro, dizia-nos o longevo e saudoso Niemeyer.

A segunda é o aprendizado de até onde chega o ódio da classe dominante. Acabo de ver uma postagem infame sobre Lula e Chávez que fazia piada sobre a doença que o brasileiro venceu e que o valente venezuelano enfrenta de um modo admirável.

Fico pensando como deve ser descobrir-se enfim como um "militante" do Partido do Câncer. É algo de fato assustador, para mim. É importante tornar visível esse tipo de publicação, que tem papel  educativo. Cada um dá o que tem, certo? É quando o desespero e o ódio de classe chega ao paroxismo que só se pode oferecer essa monstruosidade. E o povo vê e rejeita essa gravíssima deformação moral.

Enquanto isso, Chávez, que já ofereceu tanto de sua paixão, em versos, pulos, discursos, canções e gestos, oferece  agora essa outra paixão, e aqui me refiro ao sentido da conhecida Paixão de Cristo, que é padecimento e entrega, martírio. O que a direita venezuelana, brasileira, latino-americana não entende é que a solidariedade - e não a ganância e a vileza - persistem no coração humano. Ignoram essa verdade universal de que o amor com amor se paga. São, afinal, o Partido do Câncer, mas também da guerra e da ganância, da exclusão e da opressão. Como poderiam entender? Mas em seu ato falho, reluz, à vista de todos, a sua vileza infinita.

Como poderiam entender que, mesmo gravemente enfermo, Chávez ensina maravilhosamente esse sujeito social que o erigiu e a quem em contrapartida moldou. São emocionantes os fatos que se passam na Venezuela. À questão tantas vezes repetida pela direita e pelos irresponsáveis,  que o processo bolivariano repousava numa só figura, a realidade responde com a mesma criatividade daquele povo que, esmagado no Caracazo, soube parir o tenente-coronel Hugo Chávez Frías. E levá-lo ao poder. E resgatá-lo das mãos dos golpistas quando intentaram depô-lo com o apoio da mesma cúpula da Igreja Católica que mais uma vez, com suas declarações infames, envergonha qualquer cristão sincero.

Esse povo que se foi construindo sujeito de tantos modos, em movimento novo, sindicato novo, partido novo, trabalhador e camponês novos, liderança nova, comunicação nova. É essa impressionante força social que se foi educando, construindo seus instrumentos de luta, uma nova institucionalidade, uma nova democracia, um novo pacto inclusivo que trouxe milhões de venezuelanos ao centro do tabuleiro político que sempre lhe foi negado. São elas e eles que enchem as ruas da Venezuela no histórico dia 10 de janeiro, a dizer que cada um, cada uma, todos são Chávez. Que lindo isso, não é mesmo? Como poderia o Partido do Câncer vencer essa beleza? Não passarão os esquálidos. E nem o jogo está decidido. Fidel está por aí ainda, não está? O jogo só termina quando acaba, é preciso lembrar a canalha.

Na Venezuela há uma Revolução e, como todas, é uma obra grandiosa, de milhões. Responde a necessidades muito profundas, a dilemas seculares, por isso sua força imensa, a encontrar caminhos e a forjar heróis, nessa simbiose tão especial que une o indivíduo e coletividades tão imensas. Que coisa pode engrandecer mais a vida de uma pessoa, dure quanto dure, que essa possibilidade de inspirar tanto amor, mudança, inclusão, poder popular, coragem, socialismo? Lembro de Chávez já em Cuba, mandando uma saudação para as crianças venezuelanas por seu primeiro dia de aula. Que lembrança, a dele! Chávez é desses revolucionários que nos ensinam que vale a pena lutar para viver porque vale a pena lutar, pelos tais "grandes sentimentos de amor" de que nos falava o Che.

Recupere-se tranquilo, querido Chávez, com essa garra imensa que aprendemos a amar. Com essa ousadia que desafia os limites desse mundo capitalista tão cruel que gera deformados morais, beneficiários da miséria, do câncer. Essa ousadia que trouxe outra vez para o campo do possível a perspectiva socialista.
O povo que te plasmou, e te fez instrumento de tantos sonhos silenciados, zela por ti e pelo sonho teu, de Bolívar, e das multidões, força material imbatível, espectro terrificante que ronda novamente as noites e os dias das oligarquias latino-americanas. Oligarcas, tremei! Venceremos!

11/01/2013

Milhares saem às ruas de Caracas em apoio a Chávez

Página/12
Caracas - Após o Tribunal Supremo de Justiça ter autorizado o adiamento da cerimônia de posse prevista para esta quinta-feira (10), centenas de milhares de manifestantes se concentraram em Caracas para apoiar o governo bolivariano, acompanhados por representantes de 27 países da região. O presidente boliviano Evo Morales afirmou que a saúde de seu colega venezuelano é um tema que preocupa “a todos os povos antiimperialistas do mundo”, enquanto que o ex-mandatário paraguaio Fernando Lugo assegurou que Chávez “pertence não só a Venezuela, mas também a Argentina, ao Equador, ao Paraguai, ao Caribe e à toda América Latina”.

O ato de homenagem ao presidente reeleito da Venezuela, Hugo Chávez, começou formalmente pouco depois das 14 horas de Caracas, quando o vice-presidente Nicolas Maduro chegou ao palanque erguido em frente ao Palácio de Miraflores. Maduro subiu ao palco junto com os presidentes da Bolívia, Evo Morales, do Haiti, Michel Martelly, da Nicarágua, Daniel Ortega, e do Uruguai, José Mujica, assim como os chanceleres da Argentina, Héctor Timerman, do Equador, Ricardo Patiño, e do ex-presidente paraguaio Fernando Lugo, entre outras autoridades.

Após a entonação do Hino Nacional, em ritmo de capela, por parte da multidão, o chanceler argentino Héctor Timerman abriu a lista de oradores com um breve discurso no qual disse ser portador de uma mensagem de carinho e afeto da parte da presidenta Cristina Fernández de Kirchner, ao mesmo tempo em que confirmou que a mandatária argentina visitará Chávez nesta sexta-feira em Havana.

“Quem diz que o companheiro Hugo está ausente? Ele está aqui em seu povo”, afirmou Fernando Lugo ao tomar o microfone. “A Revolução Bolivariana está em boas mãos porque está nas mãos do povo venezuelano”, acrescentou o ex-presidente paraguaio, destituído após um golpe institucional em junho de 2012.

Por sua parte, o boliviano Evo Morales manifestou que “neste momento Hugo Chávez Frias está na consciência de todos os bolivianos e de todas as bolivianas”. Ele observou que “o tema da saúde do irmão Chávez não é somente uma preocupação do povo venezuelano, mas também do povo boliviano e de todos os povos antiimperialistas do mundo”.

Evo fez um chamado pela “unidade na Venezuelana e na América Latina”, e assegurou que “Chávez seguirá a frente da Revolução”. Além disso, reconheceu sua “admiração e respeito a este povo venezuelano revolucionário, socialista e solidário”, e recordou os cafés da manhã vividos com o líder bolivariano em suas visitas anteriores a Caracas. “Hoje comi uma broa de milho no café da manhã e senti que estava com Chávez”, afirmou.

O governo recebeu quarta-feira um aval legal com a decisão do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), que descartou declarar a ausência temporal ou absoluta do mandatário convalescente e disse que ainda que seja um requisito necessário, Chávez pode fazer o juramento depois do dia 10 de janeiro diante dos magistrados.

A sentença argumentou que Chávez tem uma licença aberta concedida pela Assembleia Nacional, que é um presidente reeleito e, portanto, há continuidade no mando, pelo que autorizou tanto o vice-presidente Nicolás Maduro como os ministros do gabinete para preservar as funções de governo por um tempo que não foi estabelecido.

10/01/2013

Brasil tem o maior número de empregadas domésticas no mundo

O Brasil tem o maior número de empregadas domésticas registradas do mundo. Dados divulgados nesta quarta-feira (9) pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) apontam que existiriam 7,2 milhões de empregadas domésticas no Brasil, um a cada oito no mundo oficialmente registrado pelos ministérios do Trabalho de 117 países.

Segundo a OIT, existiriam pelo menos 52,6 milhões de pessoas trabalhando como domésticas. 83% delas são mulheres. Em termos regionais, a Ásia é a líder no número de domésticas, com 41% das trabalhadoras do mundo. Na América Latina, elas representam 37% do total mundial.

Sandra Polaski, vice-diretora geral da OIT, admite que o número real poderia bem maior no mundo, já que muitas delas são “invisíveis” e não estão registradas. Um dos grandes obstáculos é a situação na África, onde milhões poderiam estar trabalhando no setor e sem qualquer conhecimento das autoridades e sequer são consideradas como trabalhadoras.

Mas o que mais preocupa a OIT é o fato de que apenas 10% delas no mundo têm os mesmos direitos dos demais trabalhadores do país. “Mais da metade das trabalhadoras não tem limitação nas horas de trabalho e 45% delas não tem direito a folga na semana”, alertou Sandra.

Segundo o levantamento, domésticas no Brasil trabalham em média 36 horas por semana, um padrão mais próximo da Europa que de países como Arábia Saudita, Catar e Malásia, com mais de 60 horas de trabalho por semana.

Em 2011, as domésticas no Brasil tinham uma renda de apenas 41% dos salários médios. Apesar de terem ganhado um aumento de salários de 55% entre 2003 e 2011, menos de 30% delas tem carteira assinada.

Além do Brasil, outro país com um número substancial é a Índia, com 4,2 milhões de trabalhadoras domésticas oficialmente registradas, além de 2,4 milhões na Indonésia e 1,8 milhão no México. Oficialmente, nos Estados Unidos existem 667 mil empregadas domésticas, contra 419 mil na Itália e 747 mil na Espanha.

Fonte: Agência Estado

Água - A boa utilização desse recurso

 Por Marcelo Szpilman

Depois do oxigênio, a disponibilidade de água doce (e potável) é a condição mais essencial à manutenção da vida terrestre em nosso Planeta. Sua escassez, que já é uma realidade para 20% da população mundial, vem sendo acentuada nos últimos 40 anos pela poluição dos rios, desmatamento das florestas, degradação do solo, má gestão dos recursos hídricos e pelo grande desperdício, na agricultura, na indústria e no nosso dia a dia.
 
Nos últimos 100 anos, o consumo de água aumentou oito vezes, enquanto a população mundial cresceu quatro vezes. Ou seja, o consumo médio individual dobrou. Porém, nesse mesmo período, poluímos 50% da água doce disponível para o nosso uso. Significa dizer que hoje estamos gastando o dobro de uma fonte que está com sua capacidade reduzida à metade. Não é por outra razão que em 2020, 60% da população mundial sofrerão carência de água de boa qualidade para consumo. E presenciaremos a intensificação das guerras e disputas territoriais pela água.
 
Pode parecer incrível, mas mesmo sabendo da clássica distribuição das águas no Planeta e o quanto a disponibilidade de água doce é restrita __ 97% são salgadas, 2% formam as geleiras e apenas 1% é doce, e dessa água doce somente um terço está disponível __, nós continuamos desperdiçando esse precioso líquido, especialmente no Brasil que detém 10% de toda a água doce do mundo. E, se recebemos tal dádiva da Natureza, esse privilégio torna-se acachapante quando confrontado pela triste estatística da ONU que revela que 80% das internações hospitalares no mundo atual são motivadas pela simples falta de acesso à água potável.
 
É bem verdade também que o fato de termos água em abundância, e por isso barata, pode ter nos tornado grandes esbanjadores. Nós nos acostumamos a utilizar a água de forma livre e despreocupada, sem nos darmos conta de que seu uso responsável no nosso cotidiano pode proporcionar considerável redução no desperdício. E exemplos não faltam. Tomar banho fechando a torneira ao ensaboar o corpo e os cabelos pode representar uma economia de até 90 litros de água por banho. Da mesma forma que barbear-se fechando a torneira, quando a água não estiver sendo utilizada, pode produzir uma economia de até 10 litros. Sem falar na habitual e dispensável “vassoura hidráulica” utilizada pelos faxineiros dos prédios para varrer e lavar as calçadas, onde o uso de uma vassoura normal economizaria até 250 litros de água por dia.
 
Infelizmente, nessa questão da boa utilização da água, não se trata só de ter ou não educação e boa vontade para adotar seu consumo consciente. Para boa parte da população, o uso responsável só virá com mecanismos de punição, como uma conta salgada no final do mês. Diferente da energia e do gás, cujos consumos individuais vêm quantificados na conta mensal da concessionária, permitindo que o cidadão sinta no bolso o uso exagerado e o desperdício, a água, na maioria dos prédios residenciais, é cobrada do condomínio numa única conta coletiva. Assim, o uso correto desse recurso só será possível quando todas as residências tiverem seu consumo de água medido por hidrômetros individuais e cobrado em contas separadas.
 
Um grande exemplo vem da Alemanha, onde o custo da água é bem alto e a cobrança individual. Lá, só se costuma puxar a descarga do vaso no banheiro após quatro ou cinco xixis. Substâncias para eliminar o cheiro desagradável da ureia são utilizadas, sem dúvida, e é claro que está se falando de uma atitude extrema, que espero não tenhamos que copiar, mas esse comportamento nos dá a exata dimensão do quão sensível pode ser o bolso do consumidor e o quanto esse mecanismo de punição financeira é eficiente na redução do consumo e do desperdício de água.
 
Reflita sobre esse assunto. Seja consciente e responsável no consumo de água, na sua residência ou no seu trabalho, para que não falte no futuro.

Futbolista brasileño Neto Maranhao falleció mientras entrenaba

El futbolista brasileño Neto Maranhao, del Potiguar de Mossoró (equipo que disputa la primera división del Campeonato de Río Grande del Norte, en el noreste de Brasil), falleció este jueves mientras se entrenaba con el equipo debido a un paro cardio-respiratorio, de acuerdo con medios locales.

Neto Maranhao, de 28 años, llegó a ser socorrido por sus propios compañeros, aunque falleció de camino al hospital.

Los medios de comunicación informaron que los jugadores del Potiguar no fueron sometidos en este inicio de temporada a pruebas para detectar problemas cardíacos, y que en el momento en que el jugador empezó a sentirse mal, no había ningún médico en el campo de entrenamiento.

El equipo se entrenaba para su debut el domingo próximo en el Campeonato Potiguar, la primera división del estado, en la propia ciudad de Mossoró, a 285 kilómetros de Natal, capital regional.

 El jugador, que actuaba como centrocampista, era una de las estrellas del campeonato para esta temporada.

Anteriormente, también había jugado en el Treze, Corinthians de Río Grande del Norte, Santa Cruz, Monte Azul, Náutico, América de Minas Gerais, Petrolina, Campienense y Salgueiro, la mayoría de ellos clubes del nordeste de Brasil.

Maranhao no es el único futbolista que ha muerto durante un entrenamiento o en un juego oficial debido a complicaciones respiratorias o del corazón.

El 26 de junio de 2003, el centrocampista camerunés Marc Vivien Foé fue parte de la selección africana que participó en la Copa FIFA Confederaciones. Ese día, Camerún disputó la semifinal ante Colombia, celebrada en el Stade de Gerland en Lyon, Francia. En el minuto 72 del partido Foé se desplomó en el círculo central. Después de los intentos de los paramédicos por reanimarlo en el terreno de juego, fue sacado del campo en una camilla, donde recibió reanimación boca a boca y oxígeno.

Una autopsia reveló que la muerte de Foé estuvo relacionada con el corazón como lo descubrió evidencia de miocardiopatía hipertrófica, una condición hereditaria conocida por aumentar el riesgo de muerte súbita durante el ejercicio físico.

Posteriormente el día 25 de enero del año 2004, el jugador húngaro del Benfica portugués, Miklos Fehér, falleció a poco de finalizar un partido contra el Vitória Guimaraes. El futbolista murió por una tromboembolia pulmonar, la cual es causada por una obstrucción total o parcial de la arteria pulmonar.

Dos jugadores españoles también han fallecido por razones similares. El 25 de agosto de 2007, en el transcurso del partido entre Sevilla y Getafe, que daba comienzo a la Liga Española, Antonio Puerta, en el minuto 28 de partido, sufrió un desmayo como consecuencia de un paro cardiorrespiratorio.

Fuentes del hospital a donde fue llevado Puerta confirmaron que el jugador sevillista tuvo cinco paros cardiorrespiratorios la noche que fue ingresado.

En el 2009 el defensa Dani Jarque murió cuando su equipo, el Espanyol de Barcelona se encontraba de gira veraniega que su equipo realizaba por Italia.

Jarque perdió el conocimiento en la habitación del hotel de concentración. Recibió asistencia médica inmediata y aunque fue trasladado a un hospital, los médicos no pudieron hacer nada por reanimarle y el futbolista perdió la vida a causa de una asistolia el 8 de agosto de 2009.
 
teleSUR-Folha-Xinhua/vg - FC

Procurador General de Brasil desmintió investigación judicial contra Lula


El Procurador General de la República de Brasil, Roberto Gurgel, desmintió este miércoles haber ordenado la apertura de una investigación contra el expresidente Luiz Inacio Lula da Silva (2003-2011), tal como ha sido difundido en algunos medios de comunicación de esta nación suramericana.

A través de un comunicado, Gurgel destacó que “no existe pesquisa alguna al exmandatario, que gobernó esta nación entre 2003 y 2011, a partir de una declaración de un condenado en diciembre de 2012 por un caso de corrupción”.

El caso al que se refiere el Procurador es un esquema de sobornos instalado durante el primer gobierno de Lula, conocido como “mensalao”, y por el que ya fueron condenados varios políticos, legisladores y empresarios.

El texto sostiene que la Procuraduría "todavía no inició el análisis de las declaraciones de Marcos Valerio", el publicista sentenciado a 40 años por su participación en la compra de votos de parlamentarios, ocurrida en 2005.

En ese sentido, Gurgel resaltó que no hay ninguna decisión en lo referente a una investigación posible del caso, desmintiendo así la versión difundida por el diario O Estado de Sao Paulo.

Estas acusaciones salieron a la luz pública en diciembre pasado y fueron inmediatamente rechazadas por el expresidente, quien además anunció su intención de salir a la calle a protestar “contra las intenciones de grupos de poder y la prensa de derecha” de involucrarlo en un caso de corrupción.

De igual manera, el gobernante Partido de los Trabajadores (PT) desestimó los pronunciamientos de Valerio y alertó que “todo se trata de una maniobra montada para conseguir una rebaja de pena y desprestigiar al exmandatario”.

La organización política rechazó igualmente las penas impuestas a Valerio y varios dirigentes del entonces Gobierno de Lula, pues considera que “no se aportaron pruebas que confirmaran la existencia de sobornos o compra de votos”.

“Mensalao” es el nombre con el cual se conoce a la red de recaudación ilegal de recursos, la mayor parte proveniente de organismos públicos, caso que terminó de juzgar en diciembre el Supremo Tribunal Federal en el llamado "juicio del siglo".

El entonces jefe de Gabinete de Lula, José Dirceu, fue considerado por el Tribunal como el cabecilla de esta red y sentenciado a casi once años de prisión.
 
teleSUR-Telam-PL-Terra/MARL

09/01/2013

Empleados del sector financiero de España protestan contra despidos


Los trabajadores del sistema financiero de España realizarán este miércoles una protesta en rechazo a los despidos en el sector. Asimismo, pedirán al Gobierno español una banca pública sin especuladores.

En un comunicado, la Unión General de Trabajadores (UGT), que junto con Comisiones Obreras (CC.OO.) llamó a una concentración este miércoles frente a la sede del Banco de España, repudió la destrucción de empleo y pidió "un país sin usura y sin especuladores".

El sindicato también se quejó por el comportamiento de los directivos de los bancos nacionalizados.

"Consideramos inaceptable que quienes han abusado de sus puestos de dirección en las entidades financieras intervenidas por el Estado, como el señor Rodrigo Rato, campen libres siendo responsables de haber llevado a la ruina a miles de familias españolas", denunció el sindicato a través de un comunicado.

Las protestas se llevarán a cabo en siete ciudades de España: Madrid (capital), Barcelona (noreste), Valencia (este), Las Palmas (suroeste), Logroño (norte), Segovia (centro) y Ávila (centro).

Las movilizaciones también se dan en medio de las conversaciones entre los dos sindicatos y los directivos de los bancos Santander y Bankia, que prevén, respectivamente, un recorte de plantilla de tres mil y seis mil empleados.

La mayoría de los bancos españoles se encuentran sumidos en una profunda crisis, con inyecciones de capital público y fuertes recortes de balance y nómina, sobre todo en entidades nacionalizadas como Bankia.

Según las asociaciones sindicales, sólo en el sector bancario se han destruido 35 mil empleos desde mediados de 2008, cuando estalló la crisis económica mundial.

El pasado 28 de noviembre, la Unión Europea (UE) aprobó los planes de reestructuración del Gobierno conservador de Mariano Rajoy para sanear su deteriorado sector bancario.

Ese día, la Comisión Europea (CE, Ejecutivo de la UE) desbloqueó el primer paquete de ayuda, de unos 37 mil millones de euros (48 mil 307 millones de dólares), destinado a capitalizar a Bankia, Catalunya Caixa, Novagalicia Banco y Banco de Valencia, fuertemente afectados por el estallido de la burbuja inmobiliaria.

El vicepresidente de la CE y comisario de Competencia, Joaquín Almunia, había informado que la reorganización de las entidades supondrá una reducción de su volumen de activos del 60 por ciento de media, mientras su red de oficinas quedará rebajada a la mitad.

Las entidades financieras estarían destinas a disminuir los sueldos, cerrar numerosas sucursales y a llevar a cabo despidos masivos.
teleSUR-PL-milenio.com/kg - FC

Fernando Lugo y Evo Morales viajan a Caracas para brindar apoyo a Chávez


El jefe de Estado de Bolivia, Evo Morales, y el exmandatario paraguayo Fernando Lugo tienen previsto arribar a la ciudad de Caracas en las próximas horas, para participar en un acto que se realizará el día jueves en la capital venezolana, en apoyo y solidaridad con el presidente Hugo Chávez, quien se recupera de una intervención quirúrgica en La Habana.

La agencia Prensa Latina reseñó que el Frente Guasú -coalición de partidos y organizaciones de izquierda que encabeza Lugo- confirmó el viaje de su líder político a Venezuela para este miércoles, con la misión de “llevar el apoyo del pueblo paraguayo” a Hugo Chávez.

Entre las actividades planificadas destaca su presencia en la concentración popular convocada por el oficialista Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV), cuyo objetivo es respaldar la reelección de Chávez como Presidente constitucional y democrático para el período 2013-2019.

Por su parte, la Agencia Boliviana de Información (ABI) también confirmó la presencia de Morales en la masiva concentración prevista para el 10 de enero en Caracas, en la que también se espera la presencia de otras personalidades políticas importantes de la región latinoamericana.

"El Presidente está viajando a Caracas por invitación de la Asamblea Nacional de Venezuela, que espera reunir a los principales líderes de América Latina en un acto que tiene como propósito confirmar el triunfo de las elecciones que se llevaron a cabo en Venezuela” el pasado siete de octubre, destacó Dávila.

En ese sentido, resaltó que Morales llevará al presidente Chávez, y a todo el pueblo venezolano, el apoyo, la solidaridad y el reconocimiento del hermano pueblo de Bolivia. La Ministra añadió que su viaje está previsto para este miércoles.

A su llegada a Caracas, Lugo y Morales se encontrarán con el presidente uruguayo, José “Pepe” Mujica, quien también confirmó su asistencia al acto oficial y tiene previsto llegar a Venezuela este miércoles.

Por su parte, el ministro de Relaciones Exteriores del Ecuador, Ricardo Patiño, anunció también su presencia en la jornada popular del jueves en Caracas, aunque no confirmó ni adelanto si el presidente Rafael Correa podrá asistir.

Inicialmente, para este 10 de enero estaba prevista la juramentación de Chávez como Presidente de Venezuela para el próximo período constitucional, tras vencer en las elecciones del pasado mes de octubre.

El jefe de Estado se encuentra en la capital cubana en pleno proceso de recuperación, luego de ser intervenido quirúrgicamente el pasado 11 de diciembre, tras la aparición de células malignas en la misma región abdominal donde sufrió una lesión cancerígena en el año 2011.

Por ello, la Asamblea Nacional de Venezuela aprobó este martes que el Presidente postergue su acto de juramentación y lo lleve a cabo luego ante el Tribunal Supremo de Justicia (TSJ), tal como lo establece la Carta Magna de ese país cuando se presenta un hecho sobrevenido.
 
teleSUR-PL-ABI-VTV/MARL

Dilma Rousseff e o destino

Por Mino Carta - Carta Capital:

Há situações que me causam alguma perplexidade. Durante o governo Lula o empresariado queixava-se dos juros escorchantes, com exceção dos banqueiros, está claro. De sua alegria cuidava o presidente do BC, Henrique Meirelles. Em compensação, o vice-presidente da República, o inesquecível e digníssimo José Alencar, defendia com ardor a demanda dos seus pares.

Agora o governo Dilma abaixa os juros, e todos se queixam, em perfeito uníssono. Busco uma explicação, embora me tente recorrer a um dos grandes escritores do absurdo, movido pela convicção de que somente eles seriam capazes de explicar o Brasil. Este é um país que consegue viver contradições abissais, a começar pelo seguinte fato: atravessamos no mesmo instante épocas diferentes. A modernidade tecnológica e a Idade Média política e social.

No caso dos juros, os lances mais recentes do governo Dilma revelaram outro fato bastante significativo: muitos brasileiros que se dizem empresários são, de verdade, apenas e tão somente especuladores. Contaminados pelo vírus do neoliberalismo, acertaram sua irredutível preferência pela renda no confronto com a produção, e a baixa dos juros os atinge na parte mais sensível do corpo humano, ou seja, o bolso, como disse há muito tempo o professor Delfim Netto.
Seria preciso assumir o autêntico papel do empresário e, em vez de acompanhar os movimentos das bolsas e das oligarquias financeiras, trabalhar para produzir e enfrentar a concorrência e riscos variados como, creio eu, vaticinava Adam Smith. Os próprios banqueiros perdem benesses e têm de arregaçar as mangas para voltar às tarefas da Banca di San Giorgio.

O governo Dilma dá um passo adiante em relação àquele que o precedeu. Mexe com os interesses do poder real, conforme a opinião de analistas atilados. Ousa o que Lula não ousou. E o balanço da primeira metade do seu mandato há de registrar esse avanço em primeiro lugar.

É justo perguntar aos nossos botões por que um país tão favorecido pela natureza não atingiu o grau de desenvolvimento que lhe compete. E a resposta é inescapável: a casa-grande ficou de pé e conseguiu, sem maiores esforços, a bem da verdade, manter a Nação atada ao seu próprio tempo de prepotência. “Eles querem um país de 20 milhões de habitantes e uma democracia sem povo”, dizia Raymundo Faoro.

Poder absoluto de um lado, submissão do outro. Getúlio Vargas, eleito democraticamente em 1950, tentou enfrentar a casa-grande e morreu suicidado. O novo desafio demorou 48 anos e começou com a eleição de Lula, início de um capítulo inédito da história, este por ora a mostrar-se duradouro. Como se deu com Getúlio, mas em circunstâncias diferentes, o povo identificou-se com seu líder. No entanto, ao contrário de Getúlio, Lula é seu povo, e chegou depois de uma ditadura de 21 anos imposta pela casa-grande e de uma fase da chamada “redemocratização”, na prática voltada à manutenção do poder real e dos seus privilégios medievais.

Dilma, nesses seus últimos dois anos de mandato, deu continuidade à obra do antecessor sem deixar de conferir marca pessoal ao desempenho. De saída, livrou-se de ministros incômodos, como o exorbitante “operador” Antonio Palocci, ou Nelson Jobim, atucanado militarista. Prosseguiu pelos caminhos traçados por Lula na política social e exterior e foi recebida mundo afora como digna sucessora do “cara”. Lança, enfim, as bases de uma política econômica afinada com os objetivos de um governo social-democrático habilitado à contemporaneidade do mundo.

Janus bifronte mostra o cenho franzido na face que encara o passado, enxerga um 2012 difícil, de desenvolvimento econômico medíocre, abalado por uma crise mundial muito antes que brasileira. Não está desanuviado o rosto que olha para o futuro. O ministro Mantega promete em 2013 um crescimento de 4%, ou pouco mais, índice excelente nas circunstâncias. Não me arrisco a analisar a promessa. As dificuldades para Dilma se espraiam bem além da situação econômica, a despeito das influências que esta exercerá em outros quadrantes.

A “Operação 2014”, desencadeada pela mídia contra Lula e contra o governo não arrefecerá certamente na perspectiva do pleito do ano próximo. De certa maneira, a campanha eleitoral já partiu e definiu seus temas recorrentes. Sim, os tempos mudaram e os porta-vozes do poder real não alcançam a maioria da Nação. Sobram, porém, os problemas criados dentro do PT, da base governista e até do governo. Semeados inclusive pelo Supremo Tribunal Federal, lunaticamente inclinado a subverter as regras basilares da democracia e a agredir a Constituição. Será que o ministro da Justiça tem mesmo de resignar-se diante de tanto descalabro?

Assustam, sejamos claros, um STF e um procurador-geral da República claramente engajados na Operação 2014. Para seu próprio bem, cabe ao governo uma reação à altura, também em outra frente, para reestruturar o Partido dos Trabalhadores, hoje dividido, depauperado e em estado de confusão. Neste campo, a intervenção do fundador é indispensável. Lula é o líder em condições de conduzir o partido no retorno ao passado, para reencontrar aquela agremiação que o sustentou por três eleições e enfim o levou à Presidência em 2002.

Quanto à base governista, os problemas parecem insolúveis. Governar exige alianças de ocasião e as melhores intenções acabam por lastrear o caminho do inferno. Há parceiros confiáveis e outros que veem na carreira política a escada da vantagem pessoal. Há quem sugira uma ação para buscar o favor do empresariado. Talvez aqui a tarefa seja menos complicada do que a tentativa de formular planos comuns com, digamos, o PMDB do vice-presidente Michel Temer e do senador José Sarney, ou com o PDT de Miro Teixeira e outros do mesmo jaez.

Permito-me, de todo modo, como se daria a aproximação ao empresariado descontente com a política econômica. Por meio de um seminário sobre o capitalismo de Adam Smith e John Maynard Keynes? Mesmo assim, tentativas menos ingênuas poderiam ser experimentadas, com algum êxito, quem sabe.

Pego-me a olhar para os colegas da redação, dobrados sobre seus computadores, intérpretes da modernidade, enquanto eu batuco na minha -Olivetti Linea 88. Sou francamente arcaico, mas temo que o computador me engula como fez e faz com tantos outros. Não escapo à sina, também eu mereço Ionesco, ou Beckett. Certo é, sem qualquer parentesco com o absurdo, que às vezes o bonde da história passa pela porta de casa. Não da minha, é óbvio. Falo de Dilma Rousseff. Sinto nela a crença, a energia, a determinação, a capacidade e o porte dos escolhidos do destino.

Ler a Hegel

13.01.09_Ler a Hegel_Emir SaderPor Emir Sader.
 Blog da Boitempo

O Lenin, no seu rigor bolchevique, exagerava quando dizia que quem não leu a Logica do Hegel não compreende o marxismo. Ele queria dizer que, sem uma compreensão plena da dialética, perderia-se o núcleo básico que articula o pensamento do Marx. Lukács confirmaria isso ao dizer, um pouco mais tarde, que a única coisa ortodoxa no marxismo é a dialética. Na aplicação da dialética a distintos objetos e momentos encontra-se a atualidade do marxismo.

De fato, a passagem da lógica aristotélica – a logica da identidade – à lógica dialética é o momento mais revolucionário da historia da filosofia. Hegel é, ao mesmo tempo, o momento culminante da filosofia clássica e o seu fim, a impossibilidade, pela introdução da historia, da existência de sistemas filosóficos, que pretendiam proclamar verdades sistemáticas, eternas.

Como toda sua geração, Marx buscou fazer a cerimonia de luto do pensamento do Hegel e, assim, seu pensamento aparece como materialista, como anti-idealista. A própria afirmação de ter virado a dialética do Hegel “de cabeça pra baixo”, favorece essa visão.

Mas, apoiado em Hegel, Marx se voltou duramente contra o empirismo, contra a visão que toma a realidade imediata como a realidade. Para o pensamento dialético, nas palavras do Hegel: “O concreto é concreto porque é síntese de múltiplas determinações abstratas.” Isto é, o concreto imediato é o ponto de partida do conhecimento, mas só pode ser desvendado depois de uma passagem por determinações abstratas, que permitem sua compreensão. Como dizia Marx, se a realidade imediata fosse compreensível por si mesma, a ciência não seria necessária.

A compreensão de um objeto concreto parte das suas qualidades físicas, que em economia nos remete ao valor de uso, sua utilidade concreta para nós. Mas a compreensão da sua realidade social – porque tem tal preço – só é possível pela viagem que o compreende como produzido pelo trabalho social dos homens, que define seu valor de troca. Retornamos àquele objeto concreto agora como síntese de múltiplas determinações abstratas, como concreto socialmente determinado.

Isso vale só como exemplo da forma como o pensamento dialético se apropria da realidade e como o pensamento do Hegel é essencial.

Agora é esperar o Hegel do Žižek.

De olho na energia, Dilma antecipa retorno das férias

Correio do Brasil

A presidenta Dilma Rousseff retornou ao trabalho nesta terça-feira, após um breve recesso na Base Naval de Aratu, na Bahia. A presidenta embarcou no início da tarde, segundo o Palácio do Planalto. Dilma estava na Bahia desde o dia de 28 de dezembro, acompanhada da família, e passou o Réveillon nas instalações da Marinha. Durante a estadia, Dilma encontrou os governadores de Pernambuco, Eduardo Campos, e o da Bahia, Jaques Wagner, com quem passeou de barco.

A previsão era que a presidenta voltasse ao trabalho na quinta-feira, mas o retorno foi antecipado para hoje. 
O Planalto não informou o motivo da mudança de data. A volta antecipada de Dilma ocorre na véspera da reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), que avalia nesta quarta-feira a situação do suprimento de energia no país. O baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas tem preocupado o governo.

Nível crítico

Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), atualmente os reservatórios da Região Nordeste operam com 31,61% da capacidade, enquanto os da Região Norte com 41,24%. Para suprir a demanda de consumo, todas as termelétricas estão em funcionamento. De acordo com a Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica (Apine), os reservatórios das hidrelétricas do Sudeste e Centro-Oeste encontram-se no mais baixo nível para o mês de janeiro desde 2001, ano do último racionamento de energia elétrica no país. A capacidade armazenada atual nos lagos das usinas é 28,9%.

De acordo com o ONS, o despacho térmico atualmente chega a 12,9 mil megawatts (MW), o equivalente a 24% da demanda total do país. A Eletronuclear informou que, das duas usinas nucleares operadas pela subsidiária da Eletrobras, a única que está operando no momento é a de Angra 2, que está despachando para o SIN 1.356 MW, 6 MW acima da sua capacidade – que é gerar 1.350 MW.

Nuclear apagada

Angra 1, a primeira das nucleares produzidas no país, e que tem capacidade de geração de 640 MW, deixou de fornecer energia ao Sistema Interligado Nacional nesse sábado, quando foi desligada para a troca da tampa do reator – componente importante do circuito primário de uma usina nuclear – e o reabastecimento de combustível. A Eletronuclear explicou que a parada programada ocorreu “em comum acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e tem previsão de duração de 56 dias”. A tampa faz o fechamento do reator (que contém os elementos combustíveis), sendo uma das barreiras contra a liberação de radiação para o exterior.

O ONS admitiu que os níveis dos reservatórios estão abaixo do normal e que no subsistema Sudeste/Centro Oeste o nível dos reservatórios das hidrelétricas é hoje de 28,9% – o mais baixo para os meses de janeiro dos últimos 12 anos – menor do que o verificado no mesmo mês de 2001, quando houve o último racionamento de energia elétrica no país. Em todos os subsistemas, o nível dos reservatórios está abaixo ou próximo da Curva de Aversão ao Risco (CAR). No Nordeste, o nível dos reservatórios está em 30,96%; na Região Norte, em 40,48%; e no Sul, em 40,39%.

Presidida pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, a reunião do Comitê contará com representantes do próprio ONS, da Agência Nacional do Petróleo, Gás natural e Biocombustíveis (ANP), da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel); da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), da Câmara de Compensação de Energia Elétrica (CCEE), da Agência Nacional de Águas (ANA) e do Centro de Pesquisa de Energia Elétrica (Cepel). Em nota, a Petrobras informou que, do total do despacho termelétrico do Sistema Interligado Nacional, previsto para esta semana, cerca de 8,1 gigawatts (GW) serão produzidos em usinas a gás natural, dos quais 5,3 GW em usinas sob controle da estatal.

A nota diz ainda que, além da geração nas usinas a gás natural, a Petrobras deverá fornecer 0,5 GW provenientes de usinas a óleo.

08/01/2013

As lições de um fracasso colossal



Paul Krugman - Carta Maior



"Obama deveria assumir a frente deste debate sobre a economia - ir ao ataque -. em vez de permitir os republicanos de controlar a retórica".

É aquela época novamente: o encontro anual da Associação Americana de Economia e afiliadas, uma espécie de feira medieval, que serve como um mercado para corpos (recém-cunhadas Ph.D. 's em busca de emprego), livros e idéias. E este ano, como em reuniões anteriores, há um tema dominante em discussão: a crise econômica em curso.

Não é assim que as coisas deveriam ser. Se você tivesse entrevistado os economistas presentes nesta reunião, há três anos, a maioria deles teria certamente previsto que até agora nós estaríamos falando sobre como a Grande Depressão terminou e não porque ele ainda continua.

Então, o que deu errado? A resposta, principalmente, é o triunfo de idéias ruins.

É tentador argumentar que os fracassos econômicos dos últimos anos provam que os economistas não têm as respostas. Mas a verdade é na verdade pior: na realidade, a economia padrão ofereceu boas respostas, mas os líderes políticos - e todos os demais economistas - escolheram esquecer ou ignorar o que eles deveriam saber.

A história, neste ponto, é bastante simples. A crise financeira levou, através de vários canais, a uma queda acentuada do consumo privado: o investimento residencial caiu como o estouro da bolha imobiliária, os consumidores começaram a poupar mais quando a riqueza ilusória criada pela bolha desapareceu, enquanto a dívida hipotecária permaneceu. E esta queda do consumo privado levou, inevitavelmente, a uma recessão global.

Uma economia não é como uma família. Uma família pode decidir gastar menos e tentar ganhar mais. Mas na economia como um todo, os gastos e ganhos andam juntos: meus gastos são a sua renda, o seu gasto é minha renda. Se todo mundo tenta reduzir os gastos ao mesmo tempo, a renda vai cair - e o desemprego vai subir.

Então, o que pode ser feito? Um pequeno choque financeiro, como o estouro da bolha pontocom, no final da década de 1990, pode ser satisfeito pelo corte das taxas de juro. Mas a crise de 2008 foi muito maior, e nem mesmo cortar as taxas a zero não foi suficiente.

Nesse ponto, os governos precisam intervir, passando a apoiar suas economias enquanto o setor privado recupera o seu equilíbrio. E, em certa medida isso de fato aconteceu: a receita caiu drasticamente na crise, mas os gastos realmente cresceram conforme programas como o seguro-desemprego se expandiram e o estímulo econômico temporário entrou em vigor. Os déficits orçamentais aumentaram, mas isso foi uma coisa boa, provavelmente a razão mais importante pela qual não tivemos um replay completo da Grande Depressão.

Mas tudo deu errado em 2010. A crise na Grécia foi iniciada, erroneamente, como um sinal de que todos os governos deveriam reduzir os gastos e déficits imediatamente. Austeridade tornou-se a ordem do dia, e supostos especialistas que deveriam ter estudado melhor aplaudiram o processo, enquanto as advertências de alguns economistas (mas não suficientes) de que a austeridade iria atrapalhar a recuperação foram ignoradas. Por exemplo, o presidente do Banco Central Europeu, que confiantemente afirmou que "a idéia de que as medidas de austeridade poderiam desencadear a estagnação é incorreta".

Bem, alguém estava errado, tudo bem.

Dos trabalhos apresentados nesta reunião, provavelmente o maior flash veio de um apresentado por Olivier Blanchard e Leigh Daniel do Fundo Monetário Internacional. Formalmente, o documento representa apenas as opiniões dos autores, mas o Sr. Blanchard, economista-chefe do FMI, não é um pesquisador comum, e o trabalho foi amplamente interpretado como um sinal de que o Fundo teve uma grande reavaliação da política econômica.

O que o documento conclui não é apenas que a austeridade tem um efeito depressivo sobre as economias fracas, mas que o efeito adverso é muito mais forte do que se acreditava anteriormente. A volta prematura à austeridade, ao que parece, foi um erro terrível.

Eu vi alguns relatórios descrevendo o documento como uma admissão do FMI que não sabe ao certo o que está fazendo. Que perde o ponto. O Fundo era realmente menos entusiasmado com a austeridade do que outros grandes jogadores. Na medida em que ele diz que estava errado, ele está dizendo também que todos os outros (exceto os economistas céticos) estavam ainda mais errados. E merece crédito por estar disposto a repensar a sua posição à luz de provas.

A notícia realmente ruim é a forma como alguns outros jogadores estão fazendo o mesmo. Os líderes europeus, tendo criado a Depressão a nível de sofrimento em países devedores sem restaurar a confiança financeira, ainda insistem que a resposta é ainda mais dor. O atual governo britânico, que matou uma recuperação promissora, transformando em austeridade, recusa-se completamente a considerar a possibilidade de que ele cometeu um erro.

E aqui na América, os republicanos insistem que eles vão usar um confronto sobre o teto da dívida - uma ação profundamente ilegítima por si só - para exigir cortes de gastos que nos impulsionariam de volta à recessão.

A verdade é que acabamos de experimentar um fracasso colossal da política econômica - e muitos dos responsáveis por esse fracasso, retém o poder e se recusam a aprender com a experiência.